Iniciativa para engraxates arrecada R$ 156 mil em prédios públicos
Iniciativa voltada à inclusão produtiva realizou mais de 13 mil atendimentos e reúne trabalhadores em situação de vulnerabilidade social
atualizado
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Um projeto social para engraxates que é desenvolvido em prédios públicos de Brasília, chamado Programa Engraxate Brasil, arrecadou R$ 156,5 mil ao longo de 2025, segundo balanço divulgado pelos organizadores.
A iniciativa, voltada à geração de renda e à inclusão produtiva de pessoas em situação de vulnerabilidade, realizou mais de 13 mil atendimentos em órgãos da Esplanada dos Ministérios e em outras repartições federais durante o ano.
A ação foi criada a partir da Associação dos Moradores de Samambaia (AMS Samambaia) e passou a contar, a partir de setembro de 2025, com o apoio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
O objetivo do projeto é oferecer trabalho formalizado, visibilidade profissional e autonomia financeira a trabalhadores que atuavam de forma informal.
Os engraxates prestam serviços como limpeza, hidratação e polimento de calçados e peças de couro diretamente nos locais de trabalho dos clientes. Os valores cobrados variam conforme o tipo de serviço: a versão mais simples do serviço de engraxate custa a partir de R$ 9, enquanto tratamentos mais completos, como restauração de casacos de couro, podem chegar a R$ 120.
Os profissionais circulam uniformizados pelos prédios públicos de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e recebem os pagamentos diretamente dos clientes, via Pix ou em dinheiro.
De acordo com Zaqueu Braga, engraxate desde os seis anos e idealizador do projeto, a medida amplia a quantidade de engraxates atuando, força de trabalho que se dissipou com o tempo.
Além disso, o projeto desde a origem reserva 50% das vagas para mães de menores de 18 anos.
Todos os participantes do programa são um Cad Único e tem diversas histórias de mudança de vida, de trabalho, renda e dignidade.
“Eu comecei a engraxar sapato muito cedo, com seis anos, e desde que eu comecei a engraxar sapato nunca mais passei fome. Hoje eu tenho 40 anos, sou em engraxate há quase 36 anos e tenho dois filhos e graças a Deus nunca faltou nada para os meus filhos. As contas a gente consegue manter sempre em dia e vira e volta ainda sobra dinheiro para eu poder levar eles para a gente almoçar no restaurante com brinquedoteca que eles gostam”, disse.
Ele afirmou também que diversas mães que antes vivam apenas com o programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, agora integram o projeto e conseguem faturar cerca de R$ 6 mil por mês, trabalhando todos os dias nos prédios da Esplanada.
“A vida toda essa atividade conferiu dignidade para mim dignidade e liberdade, empoderamento para mim, para o cuidado da minha família e para várias outras mães e pessoas que participam do projeto e hoje tem a alegria de ter a vida praticamente transformada com os resultados que o projeto gera”, destacou ele.
Atualmente, 21 pessoas participam do projeto, algumas delas já incorporadas ao regime formal de trabalho, com carteira assinada.
De acordo com os organizadores, além de ampliar a renda mensal dos participantes, o projeto também contribui para a reinserção no mercado de trabalho e para a valorização da atividade.
A expectativa é ampliar parcerias com outros órgãos públicos e incluir novos trabalhadores até abril de 2026.
