Indígena é torturado e deixado à deriva em rio por pescadores ilegais

Caso ocorreu na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, na última quarta-feira (3/3). Ministério Público Federal (MPF) vai investigar

atualizado

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Rafael Vilela for The Washington Post via Getty Images
Curvas dos rios Ituí e Itaquaí, nas Terras Indígenas Vale do Javari - Metrópoles
1 de 1 Curvas dos rios Ituí e Itaquaí, nas Terras Indígenas Vale do Javari - Metrópoles - Foto: Rafael Vilela for The Washington Post via Getty Images

O Ministério Público Federal (MPF) abriu, nesse sábado (7/3), uma investigação para apurar uma denúncia de ameaça e possível agressão contra um indígena ocorrida na terça-feira (3/3), na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas.

A região é conhecida por registrar conflitos frequentes relacionados a invasões e à exploração ilegal de recursos naturais, especialmente a pesca predatória. O território é o mesmo onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram assassinados em 2022.

A denúncia foi feita pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Segundo a entidade, o indígena teria sido abordado por pescadores ilegais não indígenas enquanto pescava em um lago do rio Ituí, nas proximidades da aldeia Beija-Flor, do povo Matis.

Ele teria sido ameaçado, imobilizado e amarrado dentro de uma embarcação. Em seguida, os suspeitos o teriam deixado à deriva no meio do rio.

A Univaja alega ainda que pertences da vítima teriam sido levados pelo grupo. O indígena foi encontrado no dia seguinte, quarta-feira (4/3), durante buscas realizadas na região, coordenadas por um cacique da comunidade.

MPF pede mais informações

O responsável pelo inquérito, o procurador da República Guilherme Diego Rodrigues Leal, solicitou informações a diferentes órgãos para reunir dados sobre o ocorrido e a situação de segurança na área.

Um dos ofícios foi enviado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que terá dois dias para informar se há registros recentes de invasões, pesca ilegal ou outras atividades ilícitas no trecho indicado da terra indígena. O órgão também deverá relatar eventuais medidas de proteção territorial adotadas ou planejadas para a região.

O procurador também pediu informações ao Distrito Sanitário Especial Indígena Vale do Javari (Dsei) para verificar se a vítima recebeu atendimento médico ou acompanhamento após o episódio.

Outros pedidos foram encaminhados à União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava), que poderá fornecer detalhes adicionais sobre o caso, e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O instituto deverá informar se há registros recentes de fiscalização, autuações ou operações contra pesca ilegal na região do rio Ituí.

A investigação busca esclarecer as circunstâncias da agressão e identificar os responsáveis pelo ataque. O episódio ocorreu em uma área remota do oeste do Amazonas que, nos últimos anos, tem sido alvo de disputas envolvendo atividades ilegais e a presença de invasores em territórios indígenas.

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