Ibama: número de multas aplicadas em 2019 é o menor em 15 anos
De janeiro a novembro de 2019 foram registradas 10.270 multas. No mesmo período de 2018, o número havia sido de 13.776 autuações

As multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), de janeiro a novembro de 2019, são as menores dos últimos 15 anos, aponta um levantamento feito pelo Observatório do Clima.
De janeiro a novembro de 2019 foram registradas 10.270 multas. No mesmo período de 2018, o número de autuações foi de 13.776. Comparados os períodos, a redução chega a 25%.
De acordo com o Observatório do Clima, a queda aumenta a sensação de impunidade.
“A falta de fiscalização adequada para combater o crime ambiental acaba elevando a sensação de impunidade e resultando em mais desmatamento”, afirmou o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl ao portal G1.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO estudo ainda aponta queda nos recursos destinados às ações de inspeção do Ibama. Neste ano, foram repassados R$ 102,8 milhões ao órgão, e R$ 90,7 milhões, gastos. A proposta enviada ao Congresso prevê que os recursos serão ainda menores em 2020: R$ 76,6 milhões – menor valor desde 2016.

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O ano com maior aplicação de multas foi em 2005, quando o Ibama registrou 31,5 mil autos de infração.
O alto índice de multas sugere uma reação ao aumento do desmatamento no ano de 2004, quando foram derrubados 27,7 mil km² de florestas brasileiras. No mesmo ano, também foi registrado o maior número de focos de queimadas: 27,5 mil.
“A fiscalização tem que estar associada a um compromisso do governo de combate ao crime ambiental. É necessário uma série de políticas associadas, como demarcação de terras indígenas, a regularização fundiária que não represente a legalização da grilagem de terra pública e não perdoar as multas, é preciso que governo tenha agenda voltada para a conservação de florestas”, disse Rittl ao portal.
Bolsonaro
O Observatório do Clima diz ainda que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pode ter incentivado para uma escalada dos crimes ambientais.
“Bolsonaro ataca o Ibama desde sua campanha eleitoral, defendendo infratores ambientais e incitando a violência contra inspetores. Seu governo cortou orçamentos, nomeou funcionários despreparados, assediou funcionários e as regras de proteção foram alteradas”, diz o relatório.



