Hospital de Petrópolis comemora milésima alta de paciente da Covid
Verônica Aparecida ficou internada por cinco dias. No estado, revisão de notificações antigas fez a média móvel de casos bater recorde
atualizado
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Rio de Janeiro – Após testar positivo e ser internada para tratar as complicações da Covid-19, Verônica Aparecida Medeiros Marvila, de 40 anos, foi a milésima paciente a receber alta no Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, na região serrana do Rio. Foram cinco dias lutando pela vida para que a paciente deixasse o hospital nessa terça-feira (11/5).
A recuperação de Verônica, além de marcar os mil pacientes recuperados na unidade, também presenteia os profissionais da enfermagem na véspera do Dia Internacional da Enfermagem. Para comemorar, médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem da unidade celebraram o esforço desses profissionais, que se dedicam a salvar vidas e tiram dessas vitórias a força para continuarem atuando.
Apesar da pouca idade, o quadro de diabetes foi o que mais preocupou Verônica, que teve entre 25 e 50% do pulmão comprometido pela Covid-19.
“Sempre morri de medo de pegar e achei que não fosse resistir”, declarou a vendedora que perdeu vários amigos para a Covid-19. “No primeiro dia, senti muita falta de ar e tosse. O tratamento que tive aqui foi muito bom, desde a equipe da limpeza até os médicos. A alta está sendo uma benção, um presente”, contou Verônica.
“Essa alta traz para nós fé e otimismo em dias melhores. O cenário ainda é preocupante, mas temos nos sentido cada vez mais seguros graças ao avanço da vacinação”, comentou a médica Alice Soares, que atua no combate ao coronavírus desde o início da pandemia.
Segundo ela, ainda há uma longa batalha pela frente. “Por isso, é muito importante que a população – mesmo os já vacinados – continue tomando todos os cuidados e evitando, principalmente, os eventos familiares”, continuou a profissional.
Desafios
Ao G1, o diretor-executivo do Hospital Santa Teresa, o médico Leonardo Menezes, lembrou dos desafios encontrados desde a chegada do primeiro paciente, em março de 2020.
“Este foi um período de muito aprendizado para toda a equipe. Tivemos que lidar com uma doença desconhecida que exigiu muito preparo técnico e emocional, além de protocolos rígidos de segurança. A milésima alta é resultado de um esforço coletivo por salvar vidas. Tenho muito a agradecer a toda a equipe de profissionais do hospital pela dedicação aos pacientes, que tem garantido uma alta taxa de desfechos positivos”, disse o diretor.
Distantes das famílias e convivendo com o medo e o desenvolvimento da doença, esses pacientes foram acolhidos por uma equipe capacitada que tornou os corredores frios do hospital aquecidos pelo carinho. A dedicação e a união dos profissionais garantiram um acolhimento especial também às famílias.
Para os familiares de pacientes das Unidades de Terapia Intensiva, impossibilitados de realizar visitas presenciais, o contato foi feito pela equipe de psicólogas por meio de visitas virtuais, em chamadas de vídeo.
“Essa foi a maneira que encontramos de amparar os familiares e mantê-los perto dos pacientes. As chamadas de vídeo sem dúvida fizeram a diferença para todos, inclusive para nós que testemunhamos demonstrações de amor e fé”, comentou a coordenadora da equipe de psicologia, Jociane Gatto Justen Coutinho, explicando que as ligações são realizadas todos os dias.
Revisão de casos
A revisão de casos antigos fez a média móvel de casos de Covid no Estado do Rio bater recorde. Um mutirão nas últimas semanas avaliou a ficha de pacientes que tinham quadro sugestivo para a doença, mas que não tinham entrado nas estatísticas. Segundo o secretário municipal de Saúde da capital, Daniel Soranz, “parece que tem esse aumento”.
“O que aconteceu é que a secretaria fez um mutirão para avaliar casos antigos, do ano passado e também do início deste ano, que não tinham sido classificados como Covid e que, de fato, eram Covid e que precisavam de atualização”, detalhou. O secretário estadual de Saúde, Alexandre Chieppe.
A avaliação desses casos agora confirmados elevou a média móvel para 5 mil na última semana — mas secretários de Saúde afirmam que a Covid está regredindo no estado. “A gente vem vendo uma diminuição do número de casos na cidade e também de óbitos na última semana”, afirmou Soranz.
Nesta terça-feira (11/5), a média móvel de casos estava em 5.477, com um aumento de 81% em relação a duas semanas atrás — a maior porcentagem entre os estados brasileiros. Foram 792 mil casos na terça, 289 mil só na capital.








