Homem finge ser gerente da Anvisa e cobra propina para testes de Covid-19
Segundo a agência, há mais relatos de estelionatários usando o nome da instituição para conseguir dinheiro

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou um homem que se passava por funcionário da entidade para dar golpes com testes de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. As informações foram reveladas pelo G1.
Em um dos casos, a dona da empresa de importação e exportação ALM Brazil, Marlúcia Martire, foi surpreendida com a ligação de um homem que se passou por gerente-geral da Anvisa. Ele teria cobrado propina para “liberar” um lote com 2 mil testes do novo coronavírus, vindos da China.
O homem se apresentou como Leandro Rodrigues Pereira, gerente-geral de Tecnologia de Produtos para Saúde da agência.
No dia 14 de maio, o suspeito cobrou R$ 3,5 mil para liberar os testes de Covid-19, que estavam retidos no Aeroporto de Viracopos, em Campinas. No meio da conversa, aumentou a propina para R$ 4 mil. A vítima contou ao portal que o homem citou cronogramas, prazos e datas que ocorreriam as publicações sobre os processos no Diário Oficial da União.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Ele me ligou no dia 14 de maio, dizendo que no dia seguinte ia ser concluída a análise do meu processo e que eu precisaria pagar o valor que ele pediu para autorizar. E que, caso eu não pagasse, sairia no Diário Oficial após uma semana o indeferimento. Eu não paguei a propina e, realmente, no dia 15 houve a conclusão do processo. No dia 21, foi publicado o indeferimento no Diário Oficial da União”, relatou, ao portal.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasO processo de Marlúcia foi indeferido, mas não foi motivo suficiente para o golpista parar os contatos. No dia 25 de maio, ele ligou para avisar que poderia deferir o processo, apesar da falta de documentos. O suspeito disse ainda que o pagamento precisaria ser feito até determinado horário.
Quatro dias depois a vítima abriu outro processo na agência, desta vez para adquirir o Certificado de Autorização de Funcionamento (Certificado de AFE), um dos documentos que faltavam para ter o pedido deferido. No dia 2 de junho, a solicitação do AFE entrou no sistema interno do órgão e, na mesma data, o voltou a fazer contato, com um outro número de telefone.
“A gente fica intimidada, né? Um homem usando o nome da Anvisa, com a quantidade de informações que ele tinha sobre meu processo, coisa que nem a minha responsável técnica tinha acesso. E ele ainda se antecipava em relação aos prazos, antes de aparecerem no site da Anvisa”, lamentou a vítima.
O verdadeiro gerente-geral de Tecnologia de Produtos para Saúde da Anvisa, Leandro Rodrigues Pereira, contou que esta não foi a primeira vez que usaram os dados dele em tentativas de golpes. Além dessa denúncia, outras três chegaram ao conhecimento do órgão.
Além de Leandro, o nome do diretor-presidente, Antônio Barra, e de um outro executivo da Agência foram usados para aplicação de golpes.
Em nota, a Anvisa informou que as denúncias foram apuradas pela corregedoria da instituição e encaminhadas à Polícia Federal. Segundo assessoria, procedimentos legais devidos foram tomados para resolver a situação.


