Anvisa libera 44% dos testes para Covid-19 no Brasil. Já são 206 no mercado
Os exames rápidos apresentam o resultado em poucos minutos. Para a comunidade científica, resultados são controversos e precisam de atenção

O mercado brasileiro conta com 206 testes para a detecção da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, autorizados – a maior parte, com resultados rápidos. Os exames desse tipo apresentam o resultado em poucos minutos e têm sido usados por governos e empresas durante a pandemia.
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), obtidos pelo Metrópoles, mostram que o órgão regulador recebeu 501 pedidos de empresas para comercializarem testes no país. Desses, 470 foram analisados.
Após a avaliação da Anvisa, 206 tiveram a autorização concedida. Ou seja, a agência considerou seguros e confiáveis 43,9% dos exames. Outros 264 (56,1%) acabaram reprovados e não podem ser vendidos ou usados em todo território nacional.

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Ver todasO primeiros testes liberados pela Anvisa chegaram ao mercado em 19 de março — 20 dias após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Brasil, em 28 de fevereiro. Inicialmente, o órgão liberou oito testes. O tempo médio para avaliação dos registros na Anvisa está em torno de 15 dias.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesResultados duvidosos
Apesar da oferta de testes rápidos, esse meio de averiguar o adoecimento não é consenso na comunidade científica. Esses exames geram controvérsia pela possibilidade de falsos resultados. Isso, segundo estudiosos, pode acontecer devido à qualidade do produto e a fatores como tempo de contaminação do paciente.
O teste rápido usa a metodologia imunocromatografia, que é a geração de cor a partir de uma reação química. O antígeno, que é a substância estranha ao organismo – neste caso, o coronavírus –, e o anticorpo, que é o elemento de defesa.
Os resultados obtidos são chamados de IgM e IgG. A imunoglobulina IGM aparece na fase aguda da doença, quando o paciente apresenta sinais. A IGG é identificada quando o organismo já reconhece o vírus e produz certa imunidade.
O diretor científico da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, José Davi Urbaez, explica como o resultado pode não refletir a realidade. “O problema gravíssimo é que eles são usados em pacientes assintomáticos. Nesse contexto, sua utilidade diagnóstica é pobre, tanto com falsos positivos quanto falsos negativos. Então, não são recomendados”, explica.
Janela imunológica
O especialista acredita, contudo, que, se usado da forma indicada e no indivíduo correto, esses testes podem ter bons resultados. “Se feitos em pacientes sintomáticos, podem ser valorizados sempre no contexto clínico”, destaca.
O organismo precisa um tempo para a produção desses anticorpos a partir do contágio. Isso é chamado de janela imunológica. Por isso, explica o médico, a imunocromatografia é indicada para exames a partir do sétimo dia após o início dos sintomas, a depender da limitação do teste e da indicação do fabricante. Esse tempo é necessário para assegurar que haverá anticorpos suficientes no organismo que possam ser detectáveis por esse método.
Versão oficial
O Metrópoles entrou em contato com a Anvisa e com o Ministério da Saúde, mas até a última atualização desta reportagem apenas a Anvisa havia respondido, apenas enviando um link para a página da agência. Leia aqui. O espaço continua aberto para manifestações.



















