Homem é espancado até a morte após falsa acusação de estupro

Segundo as investigações, vítima e agressoras entraram em desacordo após um programa. O homem foi espancado e recebeu pedradas até a morte

atualizado 28/10/2021 18:43

Créditos: Reprodução/TV Gazeta

A Polícia Civil prendeu duas mulheres suspeitas do assassinato de Miguel Inácio Santos Filho, de 49 anos. O homem foi espancado até a morte pelas duas mulheres e por moradores, no bairro de Costa Dourada, na Serra, na grande Vitória (ES), em junho deste ano. As informações são do portal G1.

As prisões de Bruna Hoffman, de 26 anos, e da mãe dela, Lucineia Pereira da Silva, de 5o anos, ocorreram no dia 22 de setembro, na região da Grande Jacaraípe, mas só foram divulgadas em coletiva de imprensa realizada pela polícia nesta quinta-feira (28/10).

O delegado responsável pela investigação, Daniel Fortes, disse que a vítima teria agendado um programa com Bruna e, apesar de já terem combinado um valor, entraram em desacordo após o programa.

Segundo a polícia, Miguel já havia pago o valor a mais cobrado pela mulher, mas após saírem da casa, ele retornou para tirar satisfação. Ele atirou uma pedra na janela da casa, mas quem estava no locak era a mãe da garota.

Segundo as investigações, Bruna teria dito que o homem era estuprador, o que gerou revolta na população.

“Quando Bruna retorna, ele toma distância considerada. Ela pega uma madeira e vai em direção à vítima. Ele corre para fugir da Bruna e da mãe que estava com ela. Ela resolve gritar que ele era estuprador e teria mexido com duas crianças na região”, contou o delegado.

O homem foi morto em junho

De acordo com o delegado, os moradores seguraram a vítima e o espancaram até a morte. As mulheres ajudaram: a mãe usou uma enxada e a filha um pedaço de madeira. Outras pessoas jogaram pedras.

“A vítima era trabalhador, inocente. Não tinha praticado nenhum estupro. A Bruna deixa bem claro em depoimento que só fez isso para que a população segurasse a vítima, que ela não alcançaria. É mais um inocente que é morto por uma notícia falsa. A população não pode fazer justiça com as próprias mãos. Isso fica a cargo do estado por intermédio das polícias. Não se deixem levar pelo que é falado para fazer justiça“, alertou o delegado.

O delegado reforçou que a vítima não era um estuprador. “Foi um desacordo comercial com a senhorita Bruna e esse desacordo levou a essa fala criminosa dela”, disse.

As duas mulheres foram denunciadas pelo Ministério Público e já são rés no processo. A investigação segue em andamento para identificar outros participantes do linchamento.

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