Hackers de Moro dizem ter achado “microfone espião” na cela da PF

Assessoria da Polícia Federal diz que instituição desconhece qualquer pedido de investigação sobre espionagem na cela

Raimundo Sampaio/Especial para o MetrópolesRaimundo Sampaio/Especial para o Metrópoles

atualizado 11/11/2019 18:17

Dois suspeitos de acessarem conversas em celulares do ex-juiz Sergio Moro e de procuradores da Lava Jato narraram a seus advogados que teriam encontrado um microfone espião em um chuveiro da carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O equipamento de gravação, segundo o relato feito há duas semanas, foi retirado pelo programador Thiago Eliezer Martins, depois que ele observou fios do microfone aparecendo para o lado de fora do chuveiro. Depois de retirado do chuveiro, ele entregou o aparelho para a PF.

Thiago Eliezer Martins, que foi preso na segunda fase da Operação Spoofing, em 19 de setembro, mostrou o equipamento de gravação para outros dois colegas de cadeia – um deles era Walter Delgatti Neto, o “Vermelho”.

Suspeito de liderar o grupo, “Vermelho” está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, mas naquela ocasião cumpria quatro dias na prisão na Superintendência da PF para passar por uma rodada de depoimentos.

Depois de retirado do chuveiro, o microfone foi entregue para a PF.

Três advogados de presos da Operação Spoofing confirmaram que seus clientes narraram o episódio, e confirmaram que o microfone foi retirado de dentro do chuveiro por Thiago Eliezer Martins.

Dois advogados pediram anonimato para não se ‘indispor’ com a PF, mas dizem que estudam pedir que a Corregedoria da corporação abra uma investigação sobre o caso.

Apenas um terceiro advogado, o defensor federal Igor Roque, concordou em dar entrevista sem exigir a condição de anonimato.

Igor Roque atua na defesa de Danilo Marques, motorista de aplicativo preso na cidade de Araraquara (SP) na primeira fase da Spoofing, há quase quatro meses.

No decorrer das investigações, a Polícia Federal descobriu que Marques agia como um “testa de ferro” de “Vermelho”, em crimes de estelionato.

O defensor federal diz que seu cliente não estava na cela no dia em que o microfone foi descoberto. Igor Roque alega, porém, que ele próprio esteve na Superintendência da PF e ouviu, do próprio “Vermelho” a versão de como o grampo teria sido encontrado.

“Eu estive na PF para conversar sobre meu cliente. Chegando lá o Walter (Delgatti) disse o seguinte: ‘a gente encontrou uma escuta no chuveiro da cela. Tinha microfones, eles tiraram’”.

O advogado explica que, dos seis presos na Spoofing, apenas Suelen Oliveira foi solta. Dos outros cinco suspeitos que continuam detidos, três estão encarcerados na Papuda e dois na superintendência da PF, em Brasília. Walter é um dos que estão presos na Papuda, mas dorme com frequência na PF quando tem que prestar depoimento.

“Walter ficou lá quatro dias e voltou para a Papuda. Os outros dois já estão na PF faz mais de mês, desde quando foram presos na segunda fase (da Spoofing). Eu ainda não sei se é de um chuveiro coletivo que eles retiraram o equipamento. As celas da PF são próximas. Um microfone já daria para captar todas das conversas. A gente não sabe a gravidade disso. Têm que ser analisadas todas as consequências. A PF precisa investigar e dar uma resposta rápido a isso”, diz o defensor federal Igor Roque.

O objetivo do advogado, a partir de agora, é saber se a PF abriu alguma apuração sobre o episódio do microfone.

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