Guerra no Oriente Médio embaralha previsões para a economia em 2026

Especialista explica como são feitas as projeções econômicas e alerta para confiabilidade dos números esperados

atualizado

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Marcos Santos/USP Imagens
Cédulas e moedas de Real. foto: Marcos Santos/USP Imagens
1 de 1 Cédulas e moedas de Real. foto: Marcos Santos/USP Imagens - Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A guerra iniciada no último dia 28 de fevereiro deste ano embaralhou as previsões para o desempenho da economia em 2026. As incertezas estão associadas principalmente à expressiva variação nos preços do petróleo desde então, com características dominantes de alta.

O barril do petróleo – tipo brent – que é referência no mercado internacional chegou a ser cotado a mais de US$ 120 desde o início do conflito. Os preços estavam na casa dos US$ 70 na semana que antecedeu os primeiros movimentos bélicos.

Na tarde da última sexta-feira (27/3), o item era negociado a US$ 106,25, diante de uma alta de 4,28% em 24 horas.


Entenda a situação dos juros no Brasil

  • A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
  • Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC.

Os analistas e órgãos que acompanham os números da economia enxergam reflexos distintos quanto aos efeitos da guerra sobre a economia brasileira.

A Secretaria de Políticas Econômicas do Ministério da Fazenda divulgou em 13 de março, uma revisão nas projeções para 2026. No cenário mais moderado, a inflação teria um acréscimo de 0,1 ponto percentual e terminaria 2026 com 3,7%. Já o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantido em 2,3%.

O Banco Central (BC) elevou a projeção da inflação em 2026 de 3,5% para 3,9%, diante da guerra no Oriente Médio. A previsão foi divulgada no Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado nesta quinta-feira (26/3). Em relação ao PIB, a projeção foi mantida em 1,6%.

“As condições financeiras ficaram mais restritivas desde o relatório anterior, refletindo principalmente os grupos petróleo e risco. Como medido pelo Indicador de Condições Financeiras (ICF), calculado pelo BC, as condições financeiras chegaram em meados de março de 2026 em níveis mais restritivos do que os de dezembro de 2025. A elevação do ICF desde o último Relatório decorreu principalmente do aumento do preço do petróleo e do Chicago Board Options Exchange Volatility Index (VIX)”, diz trecho do relatório do BC.

O VIX é um indicador financeiro que observa as condições de mercado em curto prazo e é popularmente chamado de “Índice do Medo”.

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Carla Beni Menezes de Aguiar, professora de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV)
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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
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Carla Beni Menezes de Aguiar, professora de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV)

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Rafaela Felicciano/Metrópoles

O mercado também tem recalculado as expectativas quanto a 2026. O relatório Focus, feito pelo Banco Central a partir de opiniões de analistas ouvidos semanalmente, elevou a projeção da inflação que apresentava tendência de baixa na visão dos especialistas mudou de rumo. Em quatro semanas a expectativa do índice mudou de 3,91% para 4,17%.

Os analistas estavam mais otimistas quanto a uma redução na Selic, a taxa básica de juros da economia, e acreditavam, há quatro semanas, que ela poderia encerrar 2026 em 12,13% ano, mas a última consulta do BC revelou expectativa de índice de 12,50% em 31 de dezembro deste ano. A taxa está em 14,75% ao ano.

Como são feitas as previsões

Economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carla Beni explica que as previsões são feitas por modelos distintos que fazem os cálculos a partir de dados inseridos.

“São modelos matemáticos, onde você vai colocando pesos nas variáveis. Então, quando você diz algo, o mercado financeiro precificou a guerra. Não, ele não consegue precificar a guerra. Ele vai fazendo isso aos poucos por causa da instabilidade”, explica.

A especialista exemplifica que fatores novos podem influenciar o cenário e alterar significativamente as projeções já realizadas, pois “querer acertar isso agora seria, no mínimo, muita presunção”.

“Já imaginou se tivermos atentados terroristas durante a Copa do Mundo nos Estados Unidos, você não tem como precificar isso hoje. Então, é importante lembrar que as previsões para os investidores, no caso, o que vai acontecer com o dólar, o que vai acontecer com a bolsa, por exemplo, elas estão muito frágeis, justamente pela instabilidade”, justifica ela.

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