Guedes diz que taxar grandes países que poluem ajuda o meio ambiente
Em evento que discute entrada do Brasil na OCDE, ministro disse que o Brasil é a "maior potência verde do planeta" e ignorou desmatamento

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (21/6) que taxar os países que mais poluem o mundo ajudaria na preservação do meio ambiente.
Durante discurso no Fórum Semana Brasil-OCDE, que discute a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o ministro disse que o Brasil é a “maior potência verde do planeta” e que o país é parte “decisiva da preservação ambiental.
“A OCDE olha para o Brasil como parte da solução da sustentabilidade. […] Você taxar os grandes países que poluem é bom, importante, ajuda a preservação do meio ambiente”, afirmou Guedes.
Segundo o ministro, a entrada do Brasil no bloco econômico beneficiará a própria OCDE. “E por que também é importante para OCDE que o Brasil entre? Primeiro, porque o Brasil é uma grande democracia liberal. Segundo, porque o Brasil é uma potência verde. É a maior potência verde do planeta. Nós somos parte decisiva da preservação ambiental”, disse.
Em seu discurso, Guedes omitiu informações sobre o desmatamento na região amazônica. Segundo dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amazônia Legal teve 900 km² de área sob alerta de desmatamento em maio. O número é o segundo maior para o mês em seis anos, atrás apenas de 2021.
A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro e engloba a área de 8 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e parte do Maranhão. O estado do Amazonas foi o que mais desmatou – com quase um terço do total nacional (298 km²).
No evento desta terça, o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, declarou que a entidade vai buscar “evidências de que as políticas e práticas do Brasil em matéria de meio-ambiente, biodiversidade e mudança climática atendam aos elevados padrões da OCDE e que seus recursos naturais tenham sido bem preservados”.
Processo de adesão à OCDE
A OCDE tem sede em Paris e atualmente conta com 38 países em sua composição. Para entrar na organização, é necessário cumprir uma série de medidas econômicas liberais, como o controle financeiro e fiscal. Em janeiro, a OCDE aprovou o convite para que o Brasil desse início ao processo para entrar no bloco.
Os países do bloco trocam informações e alinham políticas para potencializar o crescimento econômico e colaborar com o desenvolvimento de todos os demais países-membros.
De acordo com o Itamaraty, o ingresso do Brasil na organização tem o poder de estimular investimentos e consolidar reformas econômicas.
Do ponto de vista econômico, o ingresso brasileiro é importante para o mercado internacional de negócios. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a entrada do Brasil pode aumentar em 0,4% o Produto Interno Bruto (PIB) anual.
Historicamente, o ingresso de países no organismo internacional é formalizado de três a quatro anos após o convite de entrada. O Brasil, no entanto, quer reduzir esse prazo ao máximo e deve trabalhar para atingir alinhamento completo com a entidade antes de 2025.
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