Grande colecionadora de arte em Goiás morre de Covid 9 dias após a mãe

De família tradicional, Vânia era nome conhecido da cultura no estado e tentou não ir para hospital por acreditar em "tratamento precoce"

atualizado 31/03/2021 15:04

Reprodução: Facebook

Goiânia – Considerada uma das grandes colecionadoras de arte em Goiás, a empresária Vânia Abrão, de 65 anos, morreu na madrugada desta quarta-feira (31/3) por complicações da Covid-19, em unidade de terapia intensiva (UTI) de hospital privado, em Goiânia. Ela defendia tratamento precoce e uso de medicamentos sem eficácia científica comprovada contra a doença.

No domingo passado (28/3), familiares realizaram missa de sétimo dia da mãe da empresária, Maria Espiridião Abrão, que também foi vítima da Covid no último dia 22, na pandemia que impõe caos no país. Vânia não participou porque estava internada, intubada e sedada.

Familiares contam que a empresária estava internada havia 20 dias em hospital de Goiânia, para onde foi levada depois de ter o quadro de saúde agravado em razão de complicações da doença.

“Ela acreditava, sim, que iria ser curada sem sair de casa porque falava que tinha feito tratamento precoce e não precisava de médicos”, disse uma parente próxima, que pediu para não ser identificada. “A gente está muito triste com tudo isso”, lamentou.

Destaque na cultura goiana

A empresária era conhecida como um dos nomes mais importantes do setor cultural do estado. Ela tinha centenas de quadros, entre os quais um avaliado em R$ 500 mil, no apartamento onde morava e que também era usado como galeria de arte.

“Figura relevante para o desenvolvimento das artes em Goiás, e uma das colecionadoras [de arte] mais importantes do Brasil”, afirmou a Secretaria de Estado de Cultura de Goiás (Secult-GO), em nota nas redes sociais.

Vânia integrou, por dois mandatos, o Conselho Estadual de Cultura e por 12 anos o conselho do Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Goiás, onde o acervo dela chegou a ser exposto em duas ocasiões.

De família muito tradicional no estado, ela é irmã do ex-deputado federal Pedrinho Abrão e prima da ex-senadora Lúcia Vânia (PSB).

Acervo seleto

No acervo dela, segundo fontes, estão obras de Volpi, Hélio Oiticica, Tunga, Dudi Maia Rosa, Leonilson, Leda Catunda, Cabelo, Beth Moysés, Daniel Acosta, Siron Franco, Marcelo Solá, Luiz Mauro, Dalton Paula, entre outras.

“Uma amiga querida desde o ginásio e com quem os encontros eram sempre uma festa”, escreveu a médica Zuleid Linhares, no Facebook. “Tínhamos, muitas vezes, opiniões opostas em relação a alguns assuntos, mas o diálogo era sempre respeitoso, embora acirrado”, acrescentou.

Vânia Abrão deixou dois filhos, João Henrique e Mariana, e cinco netos. Apesar de ter morrido de complicações decorrentes da Covid, a empresária já estava livre do coronavírus.

Velório e sepultamento

O velório é realizado no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia, e o sepultamento está marcado para as 17 horas desta quarta-feira, no jazigo da família, no Cemitério Santana, também na capital.

Em suas redes sociais, eram comuns postagens defendendo o uso de medicamentos como cloroquina e ivermectina. Também eram frequentes as defesas do presidentes Jair Bolsonaro (sem partido) e do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além disso, com frequência, ela repetia críticas aos opositores do bolsonarismo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomendam tratamento precoce nem medicamentos sem comprovação científica comprovada contra a doença. Entre eles estão ivermectina, azitromicina, hidroxicloroquina e cloroquina.

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