Eleição 2026

Governo vê eleição brasileira como teste para Trump na América Latina

Aliados de Lula não descartam eventual apoio público de Trump a Flávio Bolsonaro, mas apostam no diálogo recente entre os dois presidentes

atualizado

metropoles.com

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Ricardo Stuckert/PR
trump lula
1 de 1 trump lula - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a eleição brasileira deste ano será um teste central para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, meça a eficácia de sua estratégia de influência na América Latina.

No fim de 2025, a gestão Trump divulgou a nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, que coloca a América Latina como prioridade. O documento resgata a Doutrina Monroe, princípio da política externa norte-americana criado em 1823 para conter a interferência europeia no continente.

Atualizada em 1904 pelo então presidente Theodore Roosevelt, a diretriz passou a admitir intervenções diretas dos EUA na região, inclusive por meios militares. Agora, sob o chamado “Corolário Trump”, a estratégia busca conter a influência de potências como Rússia e China na América Latina.

Integrantes do governo brasileiro consideram que a eleição presidencial na Colômbia, cujo segundo turno está marcado para 21 de junho, servirá como termômetro do grau de engajamento de Washington nas disputas eleitorais da região.

Ainda assim, consideram que o pleito brasileiro tem peso maior, dado o tamanho do país, o maior da América Latina em território e população, e seu potencial estratégico, incluindo reservas de terras raras e minerais críticos, como o nióbio.

Na última terça-feira (2/6), dois dias após o primeiro turno na Colômbia, Trump declarou apoio ao candidato de ultradireita Abelardo de la Espriella. Em publicação na rede Truth Social, elogiou o político e afirmou que ele poderia impulsionar o crescimento econômico e fortalecer as relações com Washington.

De la Espriella liderou o primeiro turno com 43,74% dos votos, mais de 673 mil à frente do senador Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro, que obteve 40,90%.

Auxiliares de Lula evitam prever se Trump manifestará apoio público ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), mas não descartam essa possibilidade. Ainda assim, aliados do presidente apostam que a relação de Trump com Lula é menos tensionada do que com Petro, o que poderia atenuar eventuais tentativas de ingerência.

Apesar disso, recentes ações dos EUA em relação ao Brasil são vistas como sinais de alerta no Planalto.

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Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Presidente Lula (PT)
Reunião entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump
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Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump

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Presidente Lula (PT)

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Reunião entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

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Lula e Trump em encontro na Casa Branca
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Lula e Trump em encontro na Casa Branca

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Trump em encontro com Lula
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Trump em encontro com Lula

Andrew Harnik/Getty Images

Na última segunda-feira (1º/6), o Escritório do Representantes Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou a conclusão de uma investigação, propondo taxar produtos brasileiros, que já foram alvos de ações semelhantes no início do segundo mandato de Trump, em 25%.

De acordo com o USRT, que usou a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA na análise, o Brasil adota políticas e práticas desleais em relação aos EUA. Entre elas, o Pix, as decisões da Justiça Brasileira que miram as big techs, e o acesso ao mercado do etanol brasileiro.

Um dia depois, o parecer de outra investigação, também com base na Seção 301, recomendou a imposição de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Mas dessa vez, o Brasil está ao lado de outros 59 países. A apuração apontou supostas falhas dessas economias em impedir a entrada, em seus mercados internos, de produtos fabricados com mão de obra forçada.

Os dois pareceres ainda precisam passar por consultas públicas, e receber o aval de Trump para passarem a valer.

Em outra frente, Washington também agiu contra as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). As duas foram incluídas, na última semana, em listas norte-americanas de organizações terroristas.

Na prática, a medida visa afetar os grupos, e indivíduos que mantenham ligações com o PCC e CV, por vias econômicas. O governo brasileiro e analistas de política internacional, porém, destacam que a decisão pode abrir brechas para interferências na soberania nacional, sob a justificativa do combate ao terrorismo — como aconteceu, recentemente, na Venezuela.


PCC e CV terroristas

  • Ao serem oficialmente designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), as duas organizações brasileiras deixam de ser tratadas pela inteligência americana apenas como gangues criminosas locais ou cartéis de narcotráfico.
  • Essa mudança confere ao governo dos EUA poder de persecução global muito mais agressivo, permitindo a mobilização de agências de segurança nacional para rastrear, sufocar e neutralizar as redes operacionais de ambos os grupos fora do território brasileiro.
  • Além do cerco financeiro, a designação ativa rigoroso dispositivo penal contra qualquer indivíduo ou empresa que preste apoio às facções.
  • O enquadramento na Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA (INA) impõe severas restrições de mobilidade e imigração para as lideranças e membros cadastrados de ambas as facções.
  • Qualquer cidadão estrangeiro comprovadamente vinculado ao PCC ou ao CV tem seu visto americano cancelado e torna-se legalmente inadmissível nos Estados Unidos, com ritos de deportação imediata caso já se encontre em território americano.

Ofensiva de Trump na região

O líder norte-americano não tem poupado esforços para atuar na política latino-americana neste segundo mandato à frente da Casa Branca.

Em outubro de 2025, nas eleições legislativas da Argentina, Trump ofereceu um apoio financeiro de cerca de US$ 40 bilhões para impulsionar a vitória do partido de Javier Milei no pleito. O resultado das urnas foi favorável ao líder argentino.

Dois meses depois, em Honduras, o candidato apoiado por Trump, Nasry “Tito” Asfura, venceu uma eleição marcada por controvérsias e atraso na apuração. O presidente norte-americano já havia declarado publicamente seu apoio dias antes do pleito.

No início de 2026, os Estados Unidos invadiram Caracas, na Venezuela, e prenderam o então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, sob acusações como narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas. Ambos estão detidos em Nova York.

A presidência interina passou a Delcy Rodríguez, enquanto EUA e Venezuela iniciaram uma reaproximação diplomática e comercial, com foco na exploração de petróleo.

Mais recentemente, Cuba tornou-se um dos principais alvos de Trump. O presidente norte-americano chegou a mencionar a possibilidade de “ocupar” a ilha após o fim da guerra no Irã. Além de ampliar sanções econômicas e restrições ao envio de petróleo — agravando a crise energética no país —, Washington também passou a mirar Raúl Castro, ex-presidente cubano, indiciado por crimes como conspiração, destruição de aeronaves e assassinato, relacionados a um episódio ocorrido há cerca de 30 anos.

No mesmo dia do indiciamento, o Comando Sul dos EUA iniciou uma mobilização militar no Caribe, com o envio do porta-aviões USS Nimitz e quatro navios de guerra. Na última quinta-feira (4/6), uma nova rodada de sanções foi anunciada contra integrantes do governo cubano, incluindo o presidente Miguel Díaz-Canel, familiares da família Castro e instituições ligadas ao aparato estatal da ilha.

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