Governo Temer alerta Bolsonaro sobre saturação de aeroportos

Até 2022, Congonhas e Guarulhos chegarão ao limite; para aéreas, já falta estrutura

atualizado 15/12/2018 11:34

JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

A gestão Michel Temer alertou a equipe de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), sobre a saturação que o novo governo encontrará nos principais aeroportos do país. Integrantes da equipe do eleito compareceram no fim de novembro à apresentação de um estudo feito pelo Ministério dos Transportes e pela Secretaria de Aviação Civil. De acordo com as projeções, os aeroportos de Congonhas e Guarulhos irão atingir o limite de suas capacidades de movimento de aeronaves nas pistas em 2020 e 2022, respectivamente. As informações são da Folha de S.Paulo.

O aeroporto de Viracopos, em Campinas, teria capacidade suficiente para absorver a demanda reprimida caso fosse considerado o investimento para a implementação de uma nova pista em 2026. Juntos, os três aeroportos concentram hoje 36% da demanda nacional e devem fechar o ano com 72 milhões de passageiros. Esse número deve ultrapassar 180 milhões em 2038, conforme projeções do ministério.

Para companhias aéreas, na prática, Congonhas e Guarulhos já têm escassez de vagas para pousos e decolagens nos horários de maior demanda.

Há diversas alternativas na mesa, como a construção da terceira pista em Guarulhos, mais duas pistas em Viracopos ou a redistribuição do excedente de demanda para o Rio de Janeiro.

No entanto, segundo Dario Rais Lopes, secretário nacional de Aviação Civil, essas saídas não são consistentes. Para ele, a construção da terceira pista de Guarulhos é um empreendimento de viabilidade duvidosa. Hoje, o terminal está sob concessão.

“Uma possível extensão do prazo de concessão em cinco anos não seria suficiente para reequilibrar o contrato, porque ela não se paga em cinco anos”, disse Rais Lopes. O custo estimado da obra é de mais de R$ 500 milhões.

Paliativos
A absorção do excedente de passageiros da Grande São Paulo por Viracopos ou aeroportos do Rio de Janeiro também é vista como solução ruim, porque o deslocamento representa menos conforto, segundo o secretário.

“Existem paliativos que podem ser aplicados em alguns aeroportos, mas não em todos. E a solução não envolve só o aeroporto, é preciso pensar no entorno. É espaço aéreo, pátio, terminal e acesso”, disse Rais Lopes.

Um das alternativas é aumentar de 34 para 39 o número de slots (autorizações de pousos e decolagens) por hora no aeroporto de Congonhas, medida que deve entrar em prática no ano que vem, conforme a Folha antecipou.

A expansão, no entanto, levanta preocupações em relação ao aumento do trânsito na zona sul de São Paulo e foi criticada por companhias aéreas.

O presidente da Latam Airlines, Jerome Cadier, disse que a infraestrutura de Congonhas não tem mais espaço para embarcar passageiros com agilidade. Especialistas afastam riscos para a segurança dos voos, mas alertam para risco de atrasos.

Para o caso de Guarulhos, o estudo do ministério afirma que se “almeja que a capacidade aumente de 52 movimentos [de pousos e decolagens] na hora do pico para 60 movimentos”. Uma saída para evitar a construção de um novo aeroporto na Grande São Paulo é ampliar para 75 slots.

 

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