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Brasil

Governo manterá desonerações a combustíveis para conter efeitos da guerra

Afirmação foi feita pelo ministro do Planejamento, Bruno Moretti. Multa por preços abusivos foi elevada para até R$ 500 milhões

28/09/2026 16:38
Rafaela Felicciano/Metrópoles
Imagem colorida de abastecimento combustível

O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (28/9), que a política de concessão de subsídio aos combustíveis ainda é “necessária” e precisa ser mantida para atenuar os efeitos da guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Irã e Israel.

“Nós vamos manter a nossa política de subvenção, nossa política de desoneração, porque ela ainda é necessária para amortecer os efeitos da guerra”, disse o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

A administração federal apresentou nesta segunda medidas de fiscalização para garantir que os subsídios concedidos aos combustíveis cheguem ao bolso dos consumidores. A ação visa à apuração de possíveis aumentos abusivos nas margens de lucro do setor.

Estão previstas multas de R$ 20 mil a até R$ 500 milhões, que foram reajustadas por meio da Medida Provisória nº1.393, publicada na sexta-feira (25/9). Os valores anteriores variavam de R$ 800 a até R$ 14 milhões.

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As medidas integram a Operação Carga Pesada que prevê o endurecimento de punições a agentes do mercado que realizam práticas consideradas abusivas. O trabalho envolve a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), Procons estaduais e municipais e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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Medidas do governo para segurar os preços

  • Com a alta no preço do petróleo impactando os preços dos combustíveis no Brasil, o governo ofereceu inicialmente um subsídio para os principais combustíveis, com o objetivo de conter um possível impacto inflacionário.
  • Em março 12 de março houve subvenção direta de R$ 0,32 por litro do diesel pagos aos produtores e importadores.
  • Também no dia 12 de março houve anúncio da isenção das alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre a importação e a comercialização de óleo diesel, gerando uma redução direta de R$ 0,32 por litro do diesel.
  • No dia 8 de abril foi feita a publicação dos Decretos nº 12.923/2026 e 12.924/2026, estabelecendo alíquota zero de PIS/Cofins para o biodiesel importado e comercializado. A economia estimada de face em R$ 0,15 por litro de biodiesel puro.
  • Em julho foi a vez da concessão de subvenção econômica de R$ 0,44 por litro para a gasolina, instituída por Medida Provisória.
  • Já em 9 de setembro, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou a Medida Provisória 1.391/2026, que autorizou a concessão de uma nova subvenção econômica de R$ 1 por litro de óleo diesel de uso rodoviário.
  • De 10 de setembro a 9 de outubro de 2026 vai vigorar a isenção total (alíquota zero) de PIS/Pasep e Cofins sobre o etanol hidratado, gerando um alívio de R$ 0,19 por litro.
  • Também para o período de 10 de setembro a 9 de outubro de 2026 foi determinada a redução temporária de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a importação e a comercialização de gasolina.
  • Ministério da Fazenda prorrogou, na última sexta-feira (26/9), por 30 dias a subvenção que resulta em abatimento de R$ 1,12 no preço do diesel. Somando com a dedução de R$ 1 por litro de óleo diesel de uso rodoviário, o combustível tem ajuda de custo de R$ 2,12 por litro.

A operação Carga Pesada foi desencadeada diante do recebimento de 330 denúncias de alta nos combustíveis. Junto com fiscalizações anteriores, na instauração de 70 processos administrativos sancionadores contra postos e distribuidoras de combustíveis.

ANP já impôs multas que somam mais de R$ 700 milhões a distribuidoras de combustíveis nos quais foi verificada a elevação abusiva de preços. Decisões de primeira instância já reconheceram a elevação abusiva de preços que, em alguns casos, houve aumento da margem bruta de distribuidoras no patamar de 1.350%.

Nas decisões de primeira instância já proferidas, foi caracterizada a elevação abusiva de preços; em alguns casos, a margem bruta das distribuidoras aumentou mais de 1.350%.

Apesar do esforço para conter a alta dos combustíveis, houve elevação parcial nos preços, como mostrou o Metrópoles no último dia 20. Na última quinta-feira (24/9), o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o governo federal já direcionou R$ 40 bilhões para as medidas que tentam conter os preços dos combustíveis.

Governo detalhou parte do valor:

  • MP 1.340/26: R$ 7 bilhões; (subvenção ao diesel rodoviário)
  • MP 1.349/26: R$ 800 milhões (importação diesel e GLP); (subvenção de até R$ 1,20 por litro para óleo diesel importado de uso rodoviário)
  • MP 1.358/26: R$ 4,1 bilhões (cashback diesel e gasolina); (texto previu subsídios equivalentes a tributos federais de PIS, Pasep, Cofins e Cide para a gasolina e o óleo diesel rodoviário)
  • MP 1.363/26: R$ 12,5 bilhões (subvenção ao diesel de R$ 1,12/litro);
  • MP 1.391/26: R$ 2,12/litro; (por 30 dias a subvenção que resulta em abatimento de R$ 1,12 no preço do diesel)
  • Renúncias fiscais para gasolina e etanol: R$ 2,1 bilhões.

Moretti defendeu a eficácia da política do governo federal para “proteger” a população dos efeitos da guerra, mas fez uma ressalva.

“Também é verdade que os preços seguem mais altos do que no período pré-guerra”, reconheceu.

As ações de garantia de desconto foram apresentadas na sede do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em Brasília, em uma entrevista coletiva. O evento contou com representantes da pasta anfitriã e: Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), Ministério de Minas e Energia (MME), Advocacia-Geral da União (AGU) e ANP.

O governo federal vem tentando apertar o cerco por meio de fiscalizações para que as subvenções cheguem ao bolso do consumidor. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), já autuou ao menos 55 postos de combustíveis por aumento abusivo de preços.

Combustível em alta

Desde o início da guerra no Oriente Médio, entre Estados Unidos, Irã e Israel, no fim de fevereiro deste ano, só o etanol teve redução no preço. Todos os outros combustíveis tiveram alta no valor médio de revenda. As variações partem de 3,54%  e vão a até 20,36%, no caso do diesel S10.

Os percentuais foram apurados tendo como referência os dados do levantamento semanal da ANP em um comparativo entre 28 de fevereiro — dia de início da guerra — e o último domingo (26/9).

Veja os dados:

Apesar de os preços terem se elevado no período como um todo, a alta seria maior caso não houvesse os subsídios. O diesel, por exemplo, tinha preço médio de revenda de R$ 6,03 no dia 28 de fevereiro deste ano. No fim de março, chegou a ser comercializado com o pico de R$ 7,45 o litro, mas com o efeito dos subsídios, era comercializado a R$ 6,85 na última semana.

Os preços dos combustíveis sobem no mundo por causa da guerra no Oriente Médio. O principal ponto de incerteza é o fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota marítima de transporte de cargas do comércio global e, especialmente petróleo.

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O preço do barril de petróleo tipo brent, que é referência no mercado internacional, variava na casa dos US$ 70 prestes ao início da guerra. Com a escalada bélica, o item chegou a ultrapassar os US$ 120. Às 14h20 desta segunda, o item era negociado a R$ 97,24, com queda de 0,21% em 24 horas.