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Brasil

Governo Lula vê blefe do Centrão sobre anistia em meio a julgamento

Aliados do presidente entendem que adesão de partidos é "fake", em pressão sobre o Planalto por cargos diante de expectativa de reforma

02/09/2025 13:56, atualizado 02/09/2025 15:08
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
PGR se manifestará sobre denúncia do PL contra Lula

Interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apontam que o Centrão blefa ao sinalizar apoio ao projeto de anistia ao 8 de Janeiro, visando aumentar a pressão no governo por cargos e emendas num momento em que se espera uma reorganização da Esplanada.

Uma ala desse grupo político sinalizou adesão à proposta defendida pela direita em meio ao início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (2/9).

A oposição intensificou, nos últimos dias, a articulação para pautar a proposta de anistia aos envolvidos com o 8 de Janeiro, e o Centrão passou a se dividir sobre o projeto bolsonarista. Uma ala diz aceitar um perdão “amplo, geral e irrestrito”, que poderia beneficiar Bolsonaro. Outra afirma que pode apoiar uma “versão light”, com benefício aos “peixes pequenos” e garantia de punição aos líderes da suposta intentona golpista.

Para fontes palacianas, trata-se de uma pressão do Centrão para encarecer seu passe de permanência no governo. União Brasil e PP devem anunciar em breve o rompimento com Lula, o que gera expectativa de abrir duas vagas na Esplanada. Dessa forma, outros partidos começam a ficar de olho nos ministérios das Comunicações e do Esporte, que podem perder seus titulares.

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Dessa forma, interlocutores do governo apontam que parte do União e PP pode até apoiar a anistia, mas que os partidos do Centrão blefam com a proposta para que sejam contemplados pelo Planalto com eventuais novos cargos e para que recebam mais atenção na liberação de emendas – que, como mostrou o Metrópoles, está num ritmo lento em 2025.

A confiança dos interlocutores de Lula de que a proposta não avançará vem do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O parlamentar tem afirmado que uma anistia ampla não tem apoio real na Casa; por isso, tem resistido a pautá-la. Para aliados de Motta, ainda há uma indisposição do presidente da Câmara com a oposição, que se amotinou e gerou cenas consideradas humilhantes quando o impediu de acessar a Mesa do plenário no mês passado.

Na ocasião, deputados de direita ocuparam o local em protesto à prisão domiciliar de Bolsonaro.

Motta tem resistido até a encontrar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para falar sobre o tema. Segundo aliados, o presidente da Câmara não quer debater o assunto em meio ao julgamento.

O governo Lula, nesse sentido,  ainda interpreta que não há real disposição do Centrão em comprar uma briga com o STF, que condenou centenas por causa da manifestação que levou à invasão das sedes dos Três Poderes em janeiro de 2023.