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Brasil

Governo Lula rebate críticas de Trump sobre falhas no combate às facções

Ministério da Justiça afirma que documento dos Estados Unidos desconsidera medidas adotadas pelo Brasil no combate ao PCC e ao CV

16/09/2026 23:55
Arte Metrópoles/Otávio Augusto
Governo Trump diz que PCC e CV atuam em 12 estados dos EUA

O governo brasileiro rebateu as críticas feitas pelos Estados Unidos ao combate ao crime organizado no país. Em nota divulgada nesta quarta-feira (16/9), o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) afirmou que a avaliação norte-americana desconsidera medidas adotadas pelo governo federal contra as organizações criminosas.

“O governo brasileiro refuta quaisquer alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional. […] Trata-se, portanto, de manifestação circunstancial inserida na parte narrativa do documento, sem respaldo em sua parte dispositiva”, diz a nota.

A manifestação ocorre após o governo de Donald Trump encaminhar ao Congresso dos Estados Unidos a determinação anual que identifica os principais países produtores ou de trânsito de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027.

O Brasil não aparece entre os 23 países relacionados no documento, que inclui vizinhos, como: Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Peru e Venezuela.

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Apesar de estar fora da relação, o Brasil é citado em um trecho específico da determinação. O governo Trump afirma que o país teria falhado no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras.

Segundo o documento, as duas facções teriam transformado o Brasil em um centro de distribuição global de cocaína. A determinação também afirma que o governo brasileiro precisa adotar medidas consideradas urgentes contra os grupos. 

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Lula e Trump em encontro na Casa Branca
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Ricardo Stuckert/Presidência da República

Governo rebate

Em resposta, o governo brasileiro afirmou que a manifestação dos Estados Unidos não considera os esforços realizados no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

Entre as ações citadas está a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que estabelece penas mais severas para integrantes em posições de liderança e cria mecanismos voltados ao enfraquecimento financeiro das organizações criminosas.

O governo também menciona dezenas de milhares de operações realizadas por forças federais, com apreensões e prejuízos bilionários.

Outro ponto destacado é o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio deste ano. Segundo o MJSP, a iniciativa reúne ações de combate ao financiamento das facções, fortalecimento do sistema prisional, investigação de homicídios e enfrentamento ao tráfico de armas.


Propostas de Lula aos EUA


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A nota brasileira ressalta ainda que a ausência do Brasil na lista formal é relevante para a interpretação do documento.

Segundo o governo, a referência ao país aparece apenas na parte narrativa da determinação e não corresponde à classificação formal de descumprimento prevista na legislação norte-americana.

A própria determinação dos EUA afirma que a presença de um país na relação de grandes produtores ou rotas de drogas não constitui, por si só, uma avaliação sobre os esforços atuais de combate às drogas ou sobre o nível de coordenação com Washington.

PCC e CV

O governo Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO), em maio. A medida foi contestada pelo governo brasileiro, que apontou riscos relacionados à soberania nacional e à atuação estrangeira no combate às organizações criminosas.

Na determinação anual enviada ao Congresso, a Casa Branca voltou a citar os dois grupos ao tratar da situação brasileira.

Em sua manifestação, o Ministério da Justiça afirmou que o combate ao crime organizado é uma prioridade permanente do governo federal e envolve ações de inteligência, investigação, integração entre forças de segurança e cooperação jurídica e internacional.