Governo libera Pfizer para 2ª dose de grávidas que tomaram AstraZeneca

O uso da vacina da AstraZeneca em gestantes e puérperas com comorbidades foi suspenso pelo ministério em maio

atualizado 23/07/2021 22:17

Vacinação contra Covid-19 em pessoas com comorbidades e gestantes no estacionamento 13 do Parque da CidadeGustavo Alcântara/Especial Metrópoles

O Ministério da Saúde elaborou uma nota técnica nesta quinta-feira (22/7), assinada pela secretária Rosana Leite de Melo, na qual diz que mulheres grávidas ou no puerpério que receberam a primeira dose do imunizante AstraZeneca contra a Covid-19 podem tomar a segunda dose da Pfizer. A medida também funciona, na falta dela, com a Coronavac.

“Às mulheres que receberam a primeira dose da vacina AstraZeneca/Fiocruz e que estejam gestantes ou no puerpério (até 45 dias pós-parto) no momento de receber a segunda dose da vacina deverá ser ofertada, preferencialmente, a vacina Pfizer/Wyeth. Caso este imunizante não esteja disponível na localidade, poderá ser utilizada a vacina Sinovac/Butantan”, afirma a nota técnica nº6/2021, divulgada pela Folha de S.Paulo.

O documento discute a intercambialidade de vacinas para Covid-19, ou seja, a possibilidade de utilizar vacinas diferentes na primeira e na segunda dose. O texto ressalta que a questão não é recomendada, mas que pode ser aplicada em situações de exceção, seja por contraindicações específicas ou por ausência de um imunizante (como no caso, por exemplo, de alguém que recebeu fora do Brasil uma dose que não exista no país).

“Os indivíduos que receberem vacina no esquema de intercambialidade deverão ser orientados a respeito das limitações referentes aos dados existentes e do perfil de risco benefício”, continua o texto.

Nesta quarta-feira (21/7), o governo de São Paulo autorizou a aplicação de doses da Pfizer para a segunda dose desse grupo.

Suspensão da AstraZeneca

Em documento publicado na última sexta-feira (2/7), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) propôs suspender a aplicação das vacinas da Janssen e AstraZeneca/Oxford em grávidas.

Em maio a agência sugeriu a retirada da vacina da AstraZeneca para esse grupo após uma gestante no Rio de Janeiro ter desenvolvido trombose. Agora, a Anvisa adicionou a fórmula da Janssen à lista de restrições.

A suspensão foi feita para evitar casos de trombose e formação de coágulos sanguíneos, efeitos adversos considerados muito raros após a vacinação com fórmulas com vetor adenoviral.

O órgão pede ainda que seja criado um sistema para identificar casos suspeitos da reação. Os sintomas mais comuns são falta de ar, dor no peito, inchaço ou dor nas pernas, dor abdominal persistente, dor de cabeça grave e persistente, visão turva, confusão, convulsões, manchas vermelhas no corpo, hematomas ou outras manifestações no local da injeção. Pacientes que apresentarem os sintomas devem procurar serviço médico.

No novo comunicado, a agência lembra da importância da vacinação e que os imunizantes citados são seguros e devem ser aplicados na população em geral. “A Anvisa reforça a relação benefício-risco favorável das vacinas contra Covid-19 autorizadas para uso no país, sendo essencial a continuidade da imunização da população”, diz o documento.

As gestantes estão no grupo de prioridades para a vacina contra a Covid-19 desde abril. Segundo a Fiocruz, a taxa de letalidade entre as grávidas é de 7,2% – na população geral, o índice é de 2,8%. Até o final de junho, 1.156 gestantes faleceram em consequência da infecção.

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