Governo deixa vencer estoque de R$ 80 milhões em remédios e vacinas

Dados foram publicados em documento internos da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. Queiroga teria sido alertado

atualizado 28/09/2021 12:51

Ministério da Saúde com operários limpando letreiroRafaela Felicciano/Metrópoles

O Ministério da Saúde deixou milhares de vacinas, medicamentos e testes para diagnóstico da Covid-19 perderem o prazo de validade neste ano. O estoque conta com 32 itens e totaliza R$ 80,4 milhões.

Os dados foram publicados em documento internos da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do ministério, obtidos pelo Estadão. A informação foi divulgada em reportagem desta terça-feira (28/9).

De acordo com os registros, o Ministério da Saúde foi alertado duas vezes, nos meses de abril e julho deste ano, sobre o vencimento de sete dos 32 insumos.

Os produtos tinham prazo de validade entre 8 de julho e 31 de agosto e, juntos, custaram R$ 2,6 milhões aos cofres públicos.

Um ofício assinado pela coordenadora-geral substituta de Logística de Insumos Estratégicos para Saúde, Katiana Rodrigues Torres, em 22 de setembro, mostra que houve “comunicação prévia da proximidade de vencimento desses medicamentos”.

Segundo a profissional, houve “ausência de resposta das áreas responsáveis em tempo hábil” para a distribuição dos produtos às secretarias de saúde.

Katiana enviou o documento ao general Ridauto Lúcio Fernandes, diretor de Logística do Ministério da Saúde. O militar solicitou que fosse divulgada uma justificativa para o atraso na distribuição de cada um dos itens.

De acordo com Fernandes, foi realizada, em 13 de setembro, uma reunião com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e secretários da pasta para tratar sobre o assunto.

“Foi exposta a situação dos medicamentos que encontram-se armazenados em Guarulhos e que estão com o prazo de validade vencido”, pontuou Fernandes na documentação.

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Produtos

Segundo o Estadão, os produtos fazem parte de uma lista de 271 insumos que perderam a validade entre os anos de 2017 e 2021 e somam R$ 190,1 milhões.

A maior parte (96%) dos medicamentos da lista perderam a validade em 2019. Entre os produtos perdidos, há testes para detecção de Covid, dengue e chikungunya, vacinas contra gripe, BCG, tríplice viral e hepatite B.

Do total de itens listados, 15 perderam a validade em 2021. Veja a lista completa.

  • Vacina Meningocócica com líquida seringa preenchida – 44.250
  • Vacina BCG Intradérmica 10 doses – 27.055
  • Kit Amplificação Sars-Cov2 – 100 reações – 18.257
  • Vacina contra a gripe 10 doses – 16.432
  • Imunoglobulina anti-tetânica 250UI/ML Sol INJ 1ML: 6.308
  • Vacina contra a Febre Amarela 10 doses: 6.272
  • Vacina dupla adulto (10 doses): 3.972
  • Vacina papiloma vírus humano (Tipo 6, 11, 16 E 18 Recombinante) – 1 dose: 2.401
  • Vacina meningocócica C Conjugada – Frasco: 2.178
  • Diluente para vacina Tríplice Viral (MMR) 1 DOSE: 2.055
  • Kit Molecular Zika Dengue Chikungunya (ZDC) – 48 reações – Acessórios: 1.496
  • Kit Molecular Zika Dengue Chikungunya (ZDC) – 48 reações – Amplificação: 1.496
  • Kit Molecular Zika Dengue Chikungunya (ZDC) – 48 reações – Controle: 1.496
  • Vacina contra Hepatite A (Rotina Pediátrica) 1 dose: 1.440
    Imunoglobulina anti-varicela Zoster – 1 dose: 1.334

O Ministério da Saúde não respondeu aos questionamentos do Estadão sobre o assunto. O Metrópoles também procurou a pasta para prestar esclarecimentos, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

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