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Brasil

Governo aposta em bônus de R$ 300 milhões para destravar fila do INSS

Para diminuir a fila do INSS, o governo federal vai disponibilizar um bônus de produtividade a servidores, no total de R$ 300 milhões

15/06/2026 02:00, atualizado 14/06/2026 17:28
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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Imagem de prédio da Previdência Social, do INSS

O governo decidiu apostar, novamente, no pagamento de bônus de produtividade a servidores como estratégia para destravar a fila de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A iniciativa deve consumir cerca de R$ 300 milhões e faz parte de um esforço concentrado para reduzir o estoque de pedidos atrasados e cumprir a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de zerar a fila até setembro.

A medida ocorre em meio à pressão crescente sobre o governo, já que a fila voltou a patamares elevados nos últimos meses.

Em maio, o número de requerimentos chegou a cerca de 2,2 milhões. Desse total, aproximadamente 765 mil estavam fora do prazo legal de 45 dias para análise, e são considerados o núcleo do problema que o governo pretende eliminar nos próximos meses.

O plano do governo passa pela retomada e ampliação do chamado bônus de produtividade, pago a servidores e peritos que ultrapassam metas de análise de processos. O modelo já foi utilizado em gestões anteriores e prevê um valor adicional por tarefa concluída, funcionando como incentivo para reduzir o represamento.

No formato atual, servidores podem receber cerca de R$ 68 por processo analisado, enquanto peritos médicos têm direito a valores próximos de R$ 75 a cada atendimento extra realizado.

A estratégia está inserida no Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), que foi reativado com o objetivo de dar mais rapidez à concessão de aposentadorias, pensões e auxílios. O governo avalia que a combinação de bônus, reorganização interna e mudanças operacionais pode acelerar significativamente o fluxo de análises.

Nos últimos meses, o ritmo de processamento já aumentou. Em um único mês, o INSS chegou a conceder cerca de 890 mil benefícios, contribuindo para reduzir o tempo médio de espera para menos de 40 dias em algumas regiões.


Entenda como funciona a fila do INSS

  • O INSS acumula cerca de 2,2 milhões de pedidos; entre eles, há aproximadamente 765 mil fora do prazo legal de 45 dias.
  • Os requerimentos são processados, em geral, por ordem de entrada, mas prioridades legais, como idosos e pessoas com deficiência, podem furar a fila.
  • Falta de servidores, necessidade de perícias médicas e análise documental complexa estão entre os principais fatores que travam o andamento.
  • Pedidos com documentação incompleta ou inconsistências são retirados do fluxo principal, o que prolonga o tempo médio de concessão.
  • O Planalto quer zerar os casos fora do prazo até setembro, concentrando esforços na redução do passivo e no aumento do ritmo de análises.

O uso de bônus para enfrentar filas não é novidade e já consumiu cifras relevantes nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, os gastos com o benefício atingiram cerca de R$ 161 milhões, o maior valor desde a criação do programa, em 2019.

Apesar do custo elevado, especialistas apontam que o impacto da política sobre a produtividade tem perdido força ao longo do tempo. Dados do Boletim Estatístico da Previdência Social indicam que o aumento na produtividade dos servidores, que chegou a cerca de 45% no início do programa, caiu para algo próximo de 12% recentemente.

Ainda assim, o governo considera o instrumento essencial no curto prazo, sobretudo diante da necessidade de dar uma resposta rápida à população e evitar desgaste político.

Prioridade política

A redução da fila do INSS se tornou uma das principais prioridades do governo em 2026, especialmente em um contexto eleitoral. A meta de zerar os pedidos atrasados até setembro foi reiterada pelo presidente Lula, que vinculou o desafio à nova gestão do órgão.

No começo do ano, o presidente decidiu trocar a gestão do INSS, demitindo o então presidente, Gilberto Waller, e indicando a servidora Ana Cristina Viana Silveira para assumir a pasta.

Para viabilizar esse objetivo, o Executivo também decidiu adiar outras frentes de atuação, como o pente-fino no Benefício de Prestação Continuada (BPC), priorizando a análise de novos pedidos e a diminuição do estoque represado.

A estratégia inclui ainda mudanças administrativas, reforço no atendimento e ajustes em normas internas para evitar a abertura de pedidos duplicados, o que infla, artificialmente, a fila.

Mesmo com o reforço orçamentário e as medidas emergenciais, o desafio continua estrutural. O INSS enfrenta limitações de pessoal, aumento da demanda e complexidade crescente na análise de benefícios.

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