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Brasil

Governo Bolsonaro concentrou 75% das medalhas militares em 10 anos

Marinha é o integrante das Forças Armadas que mais adquiriu medalhas desde 2015. Exército diz que compras são realizadas de maneira variada

12/01/2025 02:00, atualizado 12/01/2025 08:45
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Reprodução/ Marinha
Foto colorida de estojo com medalhas da Marinha - Metrópoles

A maior parte das medalhas militares adquiridas pelas Forças Armadas nos últimos 10 anos foram compradas entre 2019 e 2022, período do governo de Jair Bolsonaro (PL), militar aposentado.

O Ministério da Defesa e as Forças Armadas compraram 19,3 mil medalhas entre 2015 e 2024, que custaram um total de R$ 1,6 milhão. Desse total, 75% das unidades de medalhas foram adquiridas durante o governo Bolsonaro.

Imagem colorida de arte sobre medalhas compradas nos governos Lula Bolsonaro Dilma Temer - Metrópoles

O valor de cada medalha varia bastante. As mais baratas custam apenas R$ 25. As mais caras chegam a valer mais de R$ 400, como a medalha do mérito aeronáutico no grau Grã-Cruz, que vem em uma caixa de madeira forrada em percalina azul-escuro na parte externa.

A Marinha foi a integrante das Forças Armadas que mais adquiriu medalhas nos últimos dez anos. Foram 4,7 mil unidades.

Arte do Metrópoles sobre medalhas militares adquiridas na última década - Metrópoles

Em junho de 2023, o Ministério da Defesa condecorou 12 ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a medalha Ordem do Mérito da Defesa. As Forças Armadas também davam medalhas para ministros do governo de Jair Bolsonaro (PL). O próprio ex-presidente recebeu a Medalha do Pacificador com Palma, do Exército, em maio de 2018.

Os dados citados na matéria foram coletados a partir de contratos dos fornecedores de medalhas, indicados pelo Exército, Marinha e Aeronáutica em pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI).

Variação de estoque

Em nota, o Centro de Comunicação Social do Exército garantiu que não houve uma mudança na política de concessão de medalhas durante todos os últimos dez anos.

“Foram mantidas as cotas (quantidades) de distribuição das medalhas já existentes como vinha sendo feito nos anos anteriores, acrescentando-se novas cotas apenas para condecorações criadas ao longo desse tempo”, escreveu o Exército.

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Além disso, o Exército explicou que as compras de medalhas a serem distribuídas são realizadas de maneira variada, a depender da necessidade de reposição do estoque.

“Tal estoque tem como objetivo garantir uma segurança nessa distribuição por cerca de um ano e meio, evitando assim possíveis flutuações em contratos de aquisições. Cabe destacar que os valores para aquisição das medalhas vêm variando para maior ao logo dos anos.”

O Ministério da Defesa informou por telefone que as Forças Armadas têm autonomia para realizar as compras de medalhas e deveriam ser consultadas individualmente.

A reportagem também entrou em contato com a Aeronáutica e a Marinha, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos.