Governo acredita que viagem de Lula aos EUA derrubará tarifas de Trump
Presidente Lula deve viajar a Washington em março para tratar pessoalmente com Trump sobre retirada do restante das alíquotas ao Brasil
atualizado
Compartilhar notícia

O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quinta-feira (19/2) que o governo brasileiro está confiante de que a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos Estados Unidos, em março, contribua para a retirada do restante das tarifas impostas pela Casa Branca a produtos brasileiros exportados.
Lula deve viajar a Washington no mês que vem para se reunir com Donald Trump, conforme acertado pelos líderes em ligação realizada em janeiro deste ano. O encontro, porém, segue sem data definida porque as diplomacias dos dois países ainda tentam conciliar ambas as agendas presidenciais. A previsão do Palácio do Planalto é que a viagem ocorra na segunda quinzena de março.
“O presidente Lula deve ir aos Estados Unidos em março, para ter um encontro com o presidente Trump. […] Nós estamos confiantes que nós vamos poder avançar mais nesse acordo em março entre Brasil e Estados Unidos, o encontro dos dois presidentes”, disse Alckmin.
O presidente em exercício — que ocupa o lugar de Lula até a próxima semana, quando o petista retorna de viagem à Índia e à Coreia do Sul — voltou a dizer que o Brasil vai trabalhar para reduzir as alíquotas e que tais tarifas são injustificáveis porque os EUA possuem superávit com o Brasil.
“Então, todo o trabalho é a gente reduzir as alíquotas ou retirar o máximo que puder do tarifaço de 50%. Ele não se justifica porque na importação dos Estados Unidos, quando nós importamos deles, dos 10 produtos que eles mais vendem para o Brasil, oito a tarifa é zero, não paga imposto. E a tarifa média é de 2,7%. Das 20 maiores economias do mundo, do G20, só três países os Estados Unidos têm superávit: Brasil, Austrália e Reino Unido. Todos os outros, eles têm déficit”, completou.
A declaração foi dada a jornalistas durante a abertura da 35ª Festa Nacional da Uva e Feira Agroindustrial, em Caxias Do Sul (RS). Na ocasião, o também ministro se reuniu com empresários dos setores industriais e do vinho.
Recuos dos EUA
Em novembro, a Casa Branca zerou as tarifas de 40% aplicadas pelos EUA sobre parte dos produtos agrícolas brasileiros. Com a decisão, deixaram de ser taxadas as exportações de carne bovina fresca, resfriada ou congelada, produtos de cacau e café, certas frutas, vegetais e nozes, e fertilizantes.
Antes disso, o governo norte-americano já havia anunciado a retirada das tarifas globais de 10%. Mesmo assim, alguns setores brasileiros continuaram submetidos à alíquota de 40%, parcialmente revogada, como os de máquinas, calçados, móveis, pescados, motores e mel.
