Governadores criticam Bolsonaro: “Decisão de comprar vacina não pode ser política”

Um dia antes, ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, em reunião virtual com governadores, garantiu a compra de 46 milhões de doses

atualizado 21/10/2020 14:26

Presidente Jair Messias Bolsonaro _ cerimonia programa idosoRafaela Felicciano/Metrópoles

Após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciar que o Brasil não comprará vacinas contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, governadores reagiram com indignação e severas críticas. O chefe do Palácio do Planalto disse a apoiadores que o insumo “não será comprado”.

O embate ficou ainda mais inflamado por ocorrer um dias após o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, garantir que a pasta compraria 46 milhões de doses do insumo.

Ao Metrópoles, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), repudiou as declarações do presidente. “Ele está provando mais uma vez que despreza a vida dos brasileiros e que é o maior aliado do coronavírus”, criticou.

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O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), disse que o presidente deve se preocupar em “salvar vidas e libertar os brasileiros do coronavírus”. “Adquirir as vacinas, que primeiro estiverem a disposição, deve ser a meta primordial. Nesse contexto, não há espaço para discussão sobre assuntos eleitorais ou ideológicos”, reclamou, em vídeo nas redes sociais.

No mesmo sentido, o chefe do Executivo do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), rechaçou a fala de Bolsonaro. “A decisão deve ser técnica, não política. Temos instituições renomadas que estão trabalhando na segurança, técnica e agilidade para disponibilizar para a vacina para a população. Essa não deve ser uma discussão política”, frisou, em vídeo divulgado nas redes sociais.

Parabéns ao ministro

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), parabenizou o ministro da Saúde, que foi confirmado nesta quarta com coronavírus, e disse que ele tomou medida sensata. “Estamos em guerra contra a Covid-19, que já matou mais de 150 mil no Brasil. O presidente não pode desmoralizá-lo e desautorizá-lo nesta luta. Minha total solidariedade ao ministro”, escreveu no Twitter.

Já o mandatário do Ceará, Camilo Santana (PT), cobrou que o governo federal guie suas decisões sobre a vacina da Covid-19 por critérios unicamente técnicos. “Não se pode jamais colocar posições ideológicas acima da preservação de vidas. Lutaremos para que uma vacina segura e eficaz chegue o mais rápido possível para todos os brasileiros”, salientou.

Em Pernambuco, o governador Paulo Câmara (PSB), ponderou que a influência de qualquer ideologia em temas fundamentais, como a saúde, só prejudica a população. “Defendemos que todas as vacinas consideradas seguras, avalizadas pelas autoridades, sejam disponibilizadas ao povo brasileiro. É preciso dar este passo na superação da Covid-19”, frisou.

No Piauí, o governador Wellington Dias (PT), reafirmou que o governo tinha assumido o compromisso de comprar a vacina. “O compromisso assumido ontem, em reunião dos governadores com o Ministro da Saúde, foi o de comprar vacina produzida no Brasil, da Fiocruz e do Instituto Butantan, produção brasileira. A saúde do povo tem que estar em primeiro lugar”, destacou.

 

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