Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Goiás: perita criminal forjou atentado contra si mesma, afirma polícia

Káthia Magalhães, chefe da Polícia Científica em Caldas Novas, teria pedido para ex-servidor atirar nela. Mulher foi atingida no tórax

12/03/2022 16:14, atualizado 12/03/2022 18:01
Reprodução
Káthia Mendes Magalhães, chefe da Polícia Científica em Caldas Novas, pediu para ex-servidor atirar nela

Goiânia – A Polícia Civil de Goiás anunciou neste sábado (12/3) que o atentado contra a coordenadora da Polícia Técnico-Científica de Goiás em Caldas Novas, Káthia Mendes Magalhães, de 40 anos, foi uma farsa. O episódio pode levar, inclusive, à exoneração da perita criminal, que passa a responder procedimento disciplinar e também criminalmente.

Conforme a polícia, Káthia Magalhães teria forjado o ataque contra si mesma pedindo para que um ex-colega de trabalho atirasse nela. A intenção da perita, segundo apurado até agora, seria mudar de local de trabalho e tentar progressão na carreira.

Ao ser confrontada com as provas coletadas pela Polícia Civil, Kátia confessou ter planejado o ataque a si mesma e deu mais detalhes da simulação aos investigadores.

Goiás: perita criminal forjou atentado contra si mesma, afirma polícia - destaque galeria
7 imagens
Local de atentado a tiros contra perita criminal tem pouca iluminação
Chefe da Polícia Científica em Caldas Novas, Kathia Mendes
Kathia Magalhães é perita criminal em Caldas Novas
Rodney Miranda, Secretário de Segurança Pública de Goiás
Superintendente da Polícia Técnico-Científica (SPTC) de Goiás, Marcos Egberto, e Rodney Miranda, titular da SSP
Perita criminal sofreu atentado em rodovia estadual de Goiás
1 de 7

Perita criminal sofreu atentado em rodovia estadual de Goiás

Alan Cássio/Caldas Novas
Local de atentado a tiros contra perita criminal tem pouca iluminação
2 de 7

Local de atentado a tiros contra perita criminal tem pouca iluminação

Alan Cássio/Caldas Novas
Chefe da Polícia Científica em Caldas Novas, Kathia Mendes
3 de 7

Chefe da Polícia Científica em Caldas Novas, Kathia Mendes

SPTC-GO
Kathia Magalhães é perita criminal em Caldas Novas
4 de 7

Kathia Magalhães é perita criminal em Caldas Novas

Reprodução/TV Anhanguera
Rodney Miranda, Secretário de Segurança Pública de Goiás
5 de 7

Rodney Miranda, Secretário de Segurança Pública de Goiás

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Superintendente da Polícia Técnico-Científica (SPTC) de Goiás, Marcos Egberto, e Rodney Miranda, titular da SSP
6 de 7

Superintendente da Polícia Técnico-Científica (SPTC) de Goiás, Marcos Egberto, e Rodney Miranda, titular da SSP

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Delegado-geral da Polícia Civil em Goiás, Alexandre Lourenço, e titular da SSP, Rodney Miranda
7 de 7

Delegado-geral da Polícia Civil em Goiás, Alexandre Lourenço, e titular da SSP, Rodney Miranda

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Falso atentado

Na noite de quinta-feira (10/3), ela foi atingida no tórax na altura do ombro quando estava na Rodovia GO-213, na saída de Caldas Novas para Rio Quente.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Kátia havia contado para a polícia que estava dirigindo um veículo Gol entre um supermercado e a casa dela, que fica em um condomínio às margens da rodovia.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Segundo ela, um outro veículo não identificado, de faróis apagados, teria fechado seu carro, em uma área sem iluminação pública da rodovia. Ela teria freado e desviado do carro que seguiu adiante.

A perita criminal teria então estacionado o Gol no acostamento para verificar se havia estrago na lataria de seu carro. Uma motocicleta com dois homens teria, então, se aproximado. O garupa desceu da moto e efetuou o disparo na direção de Kathia.

Conforme ela contou no boletim de ocorrência, dois outros tiros disparados teriam falhado.

Mesmo ferida, Káthia ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, por causa da demora, telefonou para o comandante do Corpo de Bombeiros.

Investigação

No entanto, de acordo com a Polícia Civil, a situação foi diferente. Testemunhas relataram aos policiais que foram procuradas pela perita há um mês com a proposta de forjar um atentado contra ela para facilitar sua mudança de cidade. Essas testemunhas não aceitaram cumprir o plano.

Kátia pediu então para que um ex-servidor, que hoje trabalha na Prefeitura de Caldas Novas, simulasse o atentado e atirasse nela. Ele confessou ter feito o disparo com um revólver calibre .32 que a perita entregou para ele no dia que a farsa foi colocada em prática.

De acordo com o secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, toda a dinâmica do caso foi arquitetada pela “imaginação criminosa” de Kathia.

Cúmplice

O ex-colega afirmou que retornou no dia seguinte do falso atentado ao posto da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC), em Caldas Novas, que era coordenado pela perita.

Ele deixou a arma em um armário usando chaves fornecidas por Kátia. O revólver foi recolhido pelas equipes da Polícia Civil no local indicado. A arma faz parte de material apreendido como prova de crimes e tem a numeração raspada.

A Polícia Civil também apreendeu os celulares da perita criminal. A polícia ainda procura pelo segundo ocupante que estaria na moto no momento em que Kathia foi baleada.

“Surreal”

Em coletiva de imprensa na tarde deste sábado em Goiânia a respeito do caso, o secretário Rodney Miranda definiu o caso como “surreal”. De acordo com ele, em 40 anos de atividade policial nunca se deparou com uma situação semelhante usando tal justificativa (mudança de endereço e progressão na carreira) como motivação.

O secretário informou, inclusive, que a real motivação do episódio continuará sendo investigada. “Foi uma coisa totalmente fora de propósito”, afirmou, a respeito das explicações da perita. “Não é possível, isso não entra na minha cabeça”, acrescentou.

Segundo Rodney, as desconfianças da polícia aumentaram a partir do momento em que a perita pareceu não contribuir com as investigações, mesmo após a criação de uma força-tarefa para apurar o caso. E bastaram poucas horas de investigação para que o caso fosse esclarecido. Tanto a perita quando seu comparsa no caso confessaram a fraude.

Kathia e a pessoa que a ajudou vão responder pelos crimes de peculato, fraude processual e porte ilegal de arma de fogo. O homem responderá ainda por lesão corporal grave, mesmo que o tiro tenha sido consentido.

A mulher vai ainda passar por procedimento administrativo disciplinar que pode levar à sua exoneração. Ela tem 11 anos de atividade policial: seis anos como escrivã da Polícia Civil e cinco anos como perita criminal. No posto de Caldas Novas ela está há 1 ano e meio. Kathia ficará afastada do trabalho enquanto a apuração estiver em andamento.