GO: para acolher doentes com Covid, hospital faz prontuário afetivo
Com ajuda de familiares, equipe de unidade de saúde identifica os pacientes pelo nome ou apelidos, descreve gostos e histórias

Goiânia – Um hospital particular da capital de Goiás tem utilizado ações humanizadas no atendimento aos pacientes no tratamento da Covid-19. Com a ajuda de familiares, no momento da admissão do doente, a equipe médica identifica gostos, apelidos, músicas preferidas e, dessa forma, oferece atendimento personalizado baseado em um prontuário afetivo.
Segundo a supervisora de enfermagem da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Rim, Stephany Araújo Nogueira, durante o tratamento, a equipe se torna a família do paciente, já que pela gravidade da doença e pelo alto risco de contaminação, os doentes ficam isolados e não podem receber visitas.
“Nós adotamos esse projeto com a premissa de que todo paciente é o amor de alguém. Ele tem uma história, tem gostos, afinidades e sentimentos. Durante o tratamento, ele vai ficar isolado, sozinha e, nesse momento, seremos a família dele”, disse em entrevista ao portal G1.

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Ver todasDe acordo com a diretora-executiva do hospital, Lilian Costa, o local sempre usou o prontuário, mas ampliou esse procedimento desde o início da pandemia. Segundo ela, a equipe pede objetos que permitam ao paciente se lembrar de casa, como cremes e sabonetes, e as informações são coladas na porta dos quartos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOutra parte importante no atendimento são as músicas. As canções preferidas dos pacientes também são informadas no momento da internação e um grupo de médicos, enfermeiros e psicólogos colocam o som para tocar de forma ambiente.
Um grupo de 13 profissionais se inscreveu para participar do projeto que inclui ainda apresentações quinzenais da própria equipe do hospital. A ação, que visa bem-estar emocional e tranquilidade das pessoas internadas, tem a participação voluntária dos colaboradores.
Veja vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=gVsSqFBDTeg
A psicóloga Amanda Rodrigues Mendes de Oliveira, responsável por colher as informações para o prontuário, disse que o atendimento mais humanizado pode reduzir até mesmo o tempo de internação do paciente. Além disso, o trabalho ajuda a amenizar a ansiedade dos familiares.
Tratamento humanizado
Profissionais de saúde de hospitais do Distrito Federal têm fixado papéis, em leitos de Covid-19, com anotações das características de pacientes. O objetivo é humanizar o tratamento de quem está intubado e levar um mínimo de conforto às famílias.
A iniciativa começou por Isadora Jochims, 35 anos, reumatologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e artista visual. Unindo as duas formações, ela resolveu fazer intervenções artísticas na ala reservada ao tratamento da Covid-19. No plantão desse último fim de semana, a médica teve a ideia de conversar com parentes de pessoas intubadas e anotar alguns gostos dos pacientes, para que sejam lembrados por suas personalidades, enquanto são tratados nos leitos.
“Faço parte da Comissão de Humanização do HUB e tive a ideia de começar com esse prontuário afetivo porque, quando tratamos pacientes graves, não conseguimos conversar com eles, e isso reduz o contato afetivo. A família fica muito angustiada, com poucas informações e não pode fazer visita por causa do isolamento”, conta.
A profissional relata que um dos incentivos que teve para começar com a ação foi o incômodo de ouvir com frequência que os médicos estão passando por um “cenário de guerra”. Para fugir dessa ideia, Isadora resolveu ressaltar, para si, para a equipe e para as famílias de pacientes, a importância de cuidar de vidas.
Na conta no Instagram, ela fez uma publicação sobre as intervenções artísticas no hospital. Veja:
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Esperança
Manifestações de apoio aos pacientes com Covid-19 têm emocionado familiares, profissionais da saúde e, principalmente, os acometidos pela doença. No último dia 13/3, o Hospital de Campanha para o Enfrentamento ao Coronavírus (HCamp), em Goiânia, foi cercado por populares que fizeram uma rede de oração no lugar.
Na ocasião, o hospital estava com 100% na taxa de ocupação dos leitos de UTI e 97,44% nas enfermarias. A unidade é referência no tratamento da doença em Goiás.
Segundo a assessoria de Imprensa do HCamp, é comum familiares de pessoas internadas realizarem orações no local. No entanto, foi a primeira vez que houve uma mobilização pelos pacientes e profissionais de saúde que trabalham no hospital.
Ainda de acordo com a assessoria, várias pessoas que passavam pelo local desceram dos carros e se juntaram à rede de oração pelas pessoas acometidas pela Covid-19, levando esperança a quem estava na unidade.



