GO: dentista é presa por deformar pacientes em procedimentos estéticos
Segundo a PCGO, os procedimentos eram realizados dentro da clínica da dentista, ambiente considerado inadequado
atualizado
Compartilhar notícia

Goiânia – Após causar lesões e deformações em sete pacientes, a Polícia Civil de Goiás (PCGO) prenderu a dentista Valéria Ribeiro nessa quinta-feira (28/5), na capital goiana. Segundo a corporação, a profissional realizava as cirurgias dentro da própria clínica, ambiente considerado inadequado e sem a estrutura necessária para procedimentos de alta complexidade.
De acordo com a polícia, as investigações foram iniciadas em 2024 após relatos de vítimas desde 2023. As apurações apontaram que, dentre os procedimentos praticados pela profissional, estavam rinoplastia (remodelação de nariz), bichectomia (remoção parcial das bochechas) e lipo de papada (remoção da gordura na região).
Ainda segundo a corporação, as vítimas apresentaram infecções, deformidades, fibroses, necroses, cicatrizes permanentes e outras sequelas graves.
Sem autorização
De acordo com o delegado responsável pela apuração do caso, Wladimir Freire, apesar de atualmente o CRO autorizar algumas cirurgias invasivas mediante comprovação de especialidade, Valéria não tinha, na época, qualquer autorização para realizar esses procedimentos.
As vítimas relataram à polícia sobre procedimentos prolongados, alguns com duração superior a 12 horas, que ocorriam em sala odontológica comum, além da ausência de condições sanitárias adequadas, falhas na esterilização de materiais e insuficiência de acompanhamento anestésico.
Uma dessas pacientes quase precisou ir para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após um procedimento, segundo o investigador.
Exercício ilegal da medicina
A operação Protocolo de Risco levantou indícios de exercício ilegal da medicina, funcionamento irregular do estabelecimento e possível utilização de técnicas vedadas pelas normas de fiscalização profissional, de acordo com a PC. A dentista foi presa preventivamente.
A ação foi realizada com o apoio da Vigilância Sanitária e interditou a clínica de Valéria, localizada no Setor Bueno. Uma funcionária foi presa em flagrante por tentar esconder alguns produtos ou objetos da investigação, segundo o delegado.
Durante o cumprimento de mandados judiciais, foram realizadas buscas na clínica e em endereços residenciais vinculados à investigada para apreender documentos, aparelhos eletrônicos, contratos, prontuários, equipamentos e outros materiais de interesse das investigações.
Além da prisão, a operação cumpre dois mandados de busca e apreensão e sequestro de R$ 600 mil, além de bens patrimoniais.
Segundo a polícia, a operação apura a prática de procedimentos estéticos e cirúrgicos, supostamente realizados de forma irregular, que causaram graves danos físicos e psicológicos nas vítimas.
Em nota, a defesa da dentista, representada pela advogada Caroline Bittar, informou que, até o presente momento, não teve acesso “à integralidade dos documentos que embasaram a operação”, e, por isso, não poderá dar uma resposta técnica completa.
Já o Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informou que a profissional possui registro ativo e que o conselho acompanha com atenção os desdobramentos do caso. Acrescentou que os procedimentos estéticos e cirúrgicos no rosto, como lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia e blefaroplastia, só podem ser realizados pelo cirurgião-dentista que for comprovadamente especialista na área.