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Famoso por ter sido salvo por um sargento do Exército de um ataque de ariranhas no Zoológico de Brasília, em 1977, Adilson Florêncio da Costa foi alvo, mais uma vez, da Polícia Federal. De acordo com documento ao qual o Metrópoles teve acesso, uma mansão indicada como pertencente a Adilson, na QI 7 do Lago Sul, bairro nobre brasiliense, é um dos endereços previstos para receber a visita de agentes da Polícia Federal que atuam na megaoperação Pausare. Deflagrada nesta quinta-feira (1º/2), a diligência terá duração de 48 horas.

A Pausare investiga suposto esquema criminoso de desvio de dinheiro previdenciário do Fundo Postalis, o Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos. Com o aval da 10ª Vara Federal de Brasília, os policiais podem apreender registros de movimentação financeira e contábil, além de documentos de transações comerciais e financeiras que possam ter relação com o Postalis ou outros fundos de pensão.

Equipamentos eletrônicos, como celulares, computadores e tablets, encontrados na casa, também são passíveis de serem acessados pela PF. A corporação está autorizada, ainda, a levar dinheiro acima de R$ 10 mil, veículos, joias e obras de arte que não tenham origem justificada ou apresentem indícios de relação com os crimes investigados. É atrás desses itens que a Polícia Federal organizou a devassa na mansão do ex-diretor financeiro da instituição.

Confira imagens da fachada da residência de Adilson, segundo consta no mandado de busca e apreensão da PF: 

 

A atuação de Adilson Florêncio da Costa e do ex-presidente do Postalis Alexej Predtechensky teria sido determinante para que a entidade investisse R$ 118,4 milhões no fundo de investimentos FIP ETB – uma operação que se revelou um mau negócio para os funcionários dos Correios. Enquanto o grupo ficou com apenas 25% da aplicação, as empresas Marco Polo Network e Victrix Partners, que entraram na transação com somente R$ 2 milhões, garantiram 75% do empreendimento.

De acordo com a investigação, o membro do Comitê de Investimento do Postalis Ricardo Oliveira de Azevedo foi o responsável por indicar o FIP ETB como um bom negócio para o Postalis. Mas Adilson e Alexej precisaram formalizar a operação e indicar o montante a ser aplicado.

Os documentos que serviriam para dar suporte na entrada do fundo ao investimento não foram encontrados, de acordo com a PF. No entanto, no relatório da corporação, é destacado que as negociatas contavam com a indicação de lisura de agências de avaliação de riscos contratadas pelo próprio Postalis.

O fato de os detalhes da operação com o FIP ETB serem desconhecidos “demonstraria caráter fraudulento ou mesmo fictício do processo conduzido pelo Comitê de Investimento e pela Diretoria Executiva da entidade de Previdência”, segundo o documento dos federais.

Roberto Stuckert Filho/PRAdilson Florêncio da Costa 

Histórico
A conduta de Adilson Florêncio como diretor financeiro do Postalis, cargo que ocupou até 2012, é cercada por escândalos de corrupção. Em junho de 2016, ele foi preso pela Operação Recomeço, da PF, acusado de integrar grupo responsável por desvio bilionário de dinheiro dos fundos de pensão Petros, da Petrobras, e da empresa que coordenava. No mês seguinte, tornou-se um dos 16 denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por suspeita de envolvimento no saqueamento dos fundos.

Antes disso, em 2013, Adilson foi multado por má gestão no Postalis e, em 2006, acabou convocado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios para dar explicações a parlamentares sobre investimento suspeito de R$ 20 milhões do Postalis em bancos mineiros. Em 2014, a administração de Florêncio tangenciou o escândalo da Lava Jato: a Comissão de Valores Mobiliários dedicou-se a investigar supostas manobras contábeis fraudulentas que dilapidaram o fundo de Previdência dos Correios.

Megaoperação
Segundo a PF, 62 equipes policiais cumprirão aproximadamente 100 mandados judiciais no Distrito Federal, Rio de Janeiro, em São Paulo e Alagoas. Ela se baseia em um conjunto de auditorias de órgãos de controle externo, encaminhado ao Ministério Público Federal, que indica má gestão, irregularidades e improbidade na aplicação dos recursos do Postalis. A PF se concentra nas implicações criminais da atuação dos envolvidos.

O fundo acumula déficit de R$ 6 bilhões. A suposta corrupção instaurada nas transações seria a responsável por prejudicar funcionários e aposentados, que arcaram com aumento na contribuição.

Por conta do volume de documentos, a corporação optou por fazer a análise dos papéis nas residências e empresas alvos da operação. “Cria-se novas possibilidades investigativas e aumenta a agilidade, eficácia e a transparência do trabalho de investigação policial”, ressalta a PF, em nota.

Além de Adilson, o lobista Milton Lyra, o ex-presidente do Postalis Alexej Predtechensky e os membros do Comitê de Investimentos Mônica Caldeira e Ricardo Azevedo são investigados na Pausare.

 

 

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