Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Eleições 2026Brasil

Flávio Bolsonaro usa estreia na TV para mirar mulheres e suavizar imagem

A esposa, Fernanda, apresenta Flávio como "Bolsonaro moderado", e campanha explora família na largada da propaganda no rádio e na TV

28/08/2026 19:09
Reprodução
Uma das primeiras inserções veiculadas pela campanha de Flávio Bolsonaro

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, estreou na propaganda eleitoral gratuita nesta sexta-feira (28/8) com um apelo às mulheres e uma tentativa de se apresentar ao eleitorado como uma versão mais moderada do bolsonarismo, sem se afastar completamente da imagem do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nas primeiras peças levadas ao rádio e à televisão, Flávio fala da esposa, das filhas e da mãe, procura alcançar eleitores de diferentes posições políticas e deixa os ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de fora. Segundo aliados, a ofensiva contra o petista deve ganhar espaço nos próximos dias.

A estreia ocorreu por meio das inserções, propagandas de 30 ou 60 segundos distribuídas ao longo da programação normal das emissoras. O horário eleitoral dos candidatos à Presidência, com programas exibidos em blocos próprios, começa neste sábado (29/8).

Flávio terá o segundo maior espaço entre os presidenciáveis. O PL contará com 339 inserções ao longo do primeiro turno e 4 minutos e 20 segundos em cada programa exibido em bloco. Lula terá a maior fatia, com 433 inserções e 5 minutos e 31 segundos por programa.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Três inserções de 30 segundos foram veiculadas nesta largada. Em uma das cenas exibidas na televisão, Fernanda Bolsonaro ajuda a construir a imagem que a campanha tenta apresentar do marido. Ela diz que “reeducou” Flávio e, diante da reação dos dois, completa: “Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado”.

A peça dirigida às mulheres também apresenta uma série de imagens de Flávio Bolsonaro com a família (foto em destaque). O vídeo começa com o candidato citando o pai, mas desloca a fala para a influência feminina dentro de casa.

“Bom, todo mundo conhece o meu pai, né? Mas, ó, minhas filhas, minha esposa, minha mãe também me fizeram ser assim, do jeito que eu sou. Então, gente, lá em casa quem manda são elas. Ainda bem que é assim”, afirma.

O candidato encerra o anúncio com uma mensagem às eleitoras: “O Brasil só vai ser melhor, só vai vencer, se as mulheres forem mais fortes e vencerem cada vez mais”, diz.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

A aproximação com esse público tenta atacar uma das principais dificuldades identificadas pela própria campanha. Na semana passada, o marqueteiro Duda Lima, responsável pela comunicação de Flávio, reconheceu diante de empresários em São Paulo que a relação com as mulheres será um dos desafios da candidatura.

Ao falar sobre o problema, Duda citou características associadas à comunicação de Jair Bolsonaro, como as motociatas, a formação militar e um estilo mais duro de falar. “Esse, de fato, é um desafio de comunicação mesmo”, afirmou.

As mulheres representam 52,8% do eleitorado brasileiro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São mais de 83,8 milhões de eleitoras.

Pesquisa Datafolha divulgada na último dia 21/8 também mostrou Flávio atrás de Lula nesse segmento. Em um eventual segundo turno, o presidente tinha 51% das intenções de voto entre as mulheres, contra 38% do candidato do PL.

“Meu pai”

A figura de Jair aparece novamente em outra inserção, mas sem que Flávio diga o nome do ex-presidente.

“Você conhece o meu pai, mas sabe de quem eu também sou filho? Eu sou filho do Brasil. Somos todos irmãos”, afirma.

Em outra peça, o candidato procura ampliar a mensagem para além do eleitorado já identificado com o bolsonarismo. “Você pode estar de um lado ou de outro, mas todo mundo concorda que o Brasil não tá bom do jeito que tá”, diz.

Flávio Bolsonaro segue com críticas à violência e às dificuldades financeiras enfrentadas pela população. Em uma das inserções, fala em “facções livres nas ruas”, diz que o povo está “preso dentro de casa” e menciona o endividamento.

“A gente pode mudar essa história. Eu vou mostrar como a gente vai fazer isso: vencer o crime e vencer esse sufoco que ninguém aguenta mais”, promete o senador.

As peças desta sexta não responsabilizam Lula nominalmente pelos problemas citados.

A campanha, porém, prepara uma ofensiva mais direta contra o presidente para os próximos dias e pretende explorar, entre outros temas, investigações que envolvem um dos filhos do petista —Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — e o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.