Fim do grupo de trabalho da Lava Jato é “evidente retrocesso”, diz MPF
Os procuradores criticaram o fim do trabalho exclusivo do grupo da Polícia Federal que atuava na Lava Jato
atualizado
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Os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) classificaram as mudanças no quadro de agentes da Polícia Federal (PF) na Operação Lava Jato como um “retrocesso” no combate à corrupção. Nesta quinta-feira (6/7), foi anunciado que a equipe de agentes seria distribuída para trabalhar em outras operações pelo país.
De acordo com a nota divulgada pelo MPF, a redução do número de policiais para menos da metade prejudica as investigações da Lava Jato e dificulta que prossigam com a eficiência dos trabalhos feitos até hoje.
Os procuradores também ressaltaram que o número de inquéritos e investigações ficará restringido pela quantidade de investigadores disponíveis. “Há uma grande lista de materiais pendentes de análise e os delegados de polícia do caso não têm tido condições de desenvolver novas linhas de investigação por serem absorvidos por demandas ordinárias do trabalho acumulado”, disse o MPF.Os trabalhos realizados a partir da delação dos executivos da Odebrecht serviram como exemplo da importância de ter uma equipe multidisciplinar e especializada. “A ausência de exclusividade na Lava Jato prejudica a especialização do conhecimento e da atividade, o desenvolvimento de uma visão do todo, a descoberta de interconexões entre as centenas de investigados e os resultados”, afirmam os procuradores.
Por fim, a instituição defende que a decisão da PF seja revista, a fim de que possam prosseguir regularmente e com eficiência as investigações contra centenas de pessoas e de que os bilhões de reais desviados dos cofres públicos sejam recuperados.
