Filhas de empresário alvo da PF furaram fila da vacina contra a Covid

Isabelle e Gabrielle Kirk Maddy Lins são filhas de Nilton Costa Lins Júnior, alvo da quarta fase da Operação Sangria

atualizado 02/06/2021 14:45

Reprodução/Redes Sociais

As filhas do empresário Nilton Costa Lins Júnior, alvo de operação da Polícia Federal (PF) que apura fraude em licitação do governo estadual do Amazonas, foram denunciadas por improbidade administrativa acusadas de furarem a fila da vacinação contra a Covid-19 no estado.

Isabelle e Gabrielle Kirk Maddy Lins (foto em destaque) são gêmeas, e têm 25 anos.

Além disso, Isabelle e Gabrielle são sócias da Ing Ferradurinha, que foi criada, segundo o site da própria empresa, com o nascimento das duas “menininhas gêmeas”. O irmão delas, Nilton Costa Lins Neto também tem partes na empresa.

Médicas recém-formadas, Gabrielle e Isabelle receberam a primeira dose da vacina em 19 de janeiro, na Unidade Básica de Saúde (UBS). As irmãs postaram registros da aplicação do imunizante em uma rede social.

Elas foram nomeadas, no entanto, nas vésperas da imunização como gerente de projetos na Secretaria de Saúde. As nomeações foram assinadas pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) denunciou as gêmeas e outros oito servidores nomeados, além do prefeito David Almeida e da secretária de Saúde da capital, Shadia Fraxe.

“Apesar de Gabrielle e Isabelle afirmarem que iniciaram as atividades médicas no dia 12/01/2021 e de o Decreto publicado ser retroativo a 01/01/2021, de forma falsa, como já mencionado, as provas indicam que a contratação se deu para o fim específico de burlar a fila de prioridades”, diz o MPAM.

Em fevereiro, a Prefeitura de Manaus exonerou sete dos 10 servidores da Secretaria Municipal de Saúde local investigados na ação do Ministério Público do Amazonas por furarem a fila da vacinação contra a Covid-19.

Entre os exonerados, estão as gêmeas Isabelle e Gabrielle Lins.

Operação Sangria

A Polícia Federal (PF) realiza, na manhã desta quarta-feira (2/6), ação contra o governo estadual do Amazonas, por supostas fraudes em licitação e desvios de recursos públicos durante a pandemia da Covid-19.

Trata-se da quarta fase da Operação Sangria, que também investiga a formação de organização criminosa.

No total, a corporação cumpre 19 mandados de busca e apreensão e outros seis de prisão, em Manaus (AM) e em Porto Alegre (RS). A casa do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), é alvo dessa ação. A ordem judicial também prevê o sequestro de bens e valores que somam R$ 22.837.552,24.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lima e do secretário de Saúde, Marcellus Campêlo, alvo de um mandado de prisão.

Campêllo não foi encontrado e é considerado foragido.

Segundo as investigações, há indícios de que funcionários do alto escalão da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas tenham realizado contratação fraudulenta em um hospital de campanha, para favorecer grupo de empresários locais, sob orientação da cúpula do governo do estado.

A PF apurou que a unidade de saúde não atende às necessidades básicas de assistência à população atingida pela pandemia, bem como coloca em risco de contaminação os pacientes e os funcionários da instituição hospitalar.

Verificou-se ainda que contratos das áreas de conservação e limpeza, lavanderia hospitalar e diagnóstico por imagem, firmados em janeiro de 2021, contêm indícios de montagem e direcionamento de procedimento licitatório, prática de sobrepreço e não prestação de serviços contratados.

Agentes da Polícia Federal foram recebidos a tiros pelo empresário Nilton Costa Lins Júnior. A informação foi confirmada pela sub-procuradora-geral da República, Lindora Maria Araújo, em sessão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo ela, apesar do tiroteio, não houve vítimas.

“Teve um incidente bastante sério. A Polícia Federal foi recebida a tiros pelo filho do… no momento eu não estou lembrando o nome… do Nilton Lins. Foi uma situação bastante constrangedora e perigosa”, assinalou a subprocuradora, ao ressaltar que a operação da Polícia Federal foi autorizada pelo STJ.

“Como ocorreu pela manhã e houve um tiroteio, foi a primeira vez que eu, em 30 anos, vi alguém receber [a PF a tiros] em uma busca e apreensão, independentemente de qualquer outra situação, mas de um ministro”, completou.

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