Figueiredo: PF mentiu sobre cooperação com EUA na prisão de Ramagem. Vídeo
Ao Metrópoles, jornalista afirma que autoridades americanas desconhecem atuação conjunta e diz que detenção ocorreu por questões migratórias
atualizado
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Em entrevista ao Metrópoles, nesta segunda-feira (13/4), o jornalista Paulo Figueiredo contestou a Polícia Federal (PF) por afirmar que a prisão do deputado federal cassado Alexandre Ramagem ocorreu a partir de uma cooperação entre as autoridades do brasil e dos EUA.
Ramagem foi detido por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), em Orlando, na Flórida. Ele foi encaminhado a um centro de detenção por irregularidades migratórias.
Segundo Figueiredo, interlocutores no governo americano afirmaram desconhecer qualquer ação conjunta com o Brasil no caso. O bolsonarista destacou que há, desde o ano passado, um pedido de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras, que segue em análise no Departamento de Estado dos EUA, sem avanços.
“O que se sabe é que esse pedido continua parado. Pelo contrário, até agora não houve cooperação do governo americano com autoridades brasileiras”, declarou.
Figueiredo afirmou também que a forma da prisão deixa claro a falta de cooperação internacional.
“Ele foi detido temporariamente pelas autoridades imigratórias e, se foi preso por autoridades imigratórias, por definição, isso não pode ser por cooperação com as autoridades brasileiras — uma vez que as autoridades brasileiras não tem nenhum tipo de cooperação imigratória com as autoridades americanas. A questão imigratória é uma questão doméstica dos EUA e, portanto, a informação não procede”, disse Figueiredo.
Paulo Figueiredo é sócio da empresa responsável pelo pedido de asilo de Ramagem nos Estados Unidos.
Figueiredo cobra provas na nota divulgada pela PF
Em nota, a PF afirmou que a prisão de Ramagem ocorreu “em cooperação internacional entre Brasil e EUA. “O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”, diz.
Paulo Figueiredo questionou a nota da PF e cobrou evidências que comprovem a atuação conjunta entre o governo americano e brasileiro. “Eles apresentaram alguma prova ou apenas a palavra da PF? Como poderia haver cooperação em um tema migratório enquanto o pedido de extradição segue sem andamento?”, indagou.
Figueiredo avaliou, ainda, que Ramagem deve ser solto “o mais brevemente possível”. “A expectativa é que ele seja solto o mais rapidamente possível, ainda que mediante fiança imigratória, para aguardar em liberdade o julgamento do pedido de asilo”, disse.
O jornalista bolsoanrista acrescentou que o desfecho do caso deve ficar mais claro nas próximas semanas e cobrou apuração do governo brasileira contra o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, caso haja falta de veracidade nas informações oficiais.
Ramagem deixou o Brasil em setembro de 2025 e passou a ser considerado foragido em novembro do mesmo ano, após a expedição de mandado de prisão preventiva. Ele havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento em uma trama golpista.
