Famílias inteiras foram devastadas com tragédia em Brumadinho

O morador da região Adriano perdeu a irmã, três primos e uma cunhada após o rompimento da barragem na cidade mineira

Bárbara Ferreira - Especial para o MetrópolisBárbara Ferreira - Especial para o Metrópolis

atualizado 12/02/2019 14:40

Nascido e criado no Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), Adriano Dias Barbosa, de 38 anos, acabou de enterrar a irmã, Dirce, que trabalhava na área de limpeza da Mina do Córrego do Feijão. Ela é uma das vítimas do rompimento da Barragem I, no dia 25 de janeiro. Adriano perdeu amigos, vizinhos e, além da irmã, três primos e uma cunhada. A tragédia marcou a vida de Adriano e de toda a família, que ficou totalmente devastada em um único dia.

“Não me conformo ao pensar sobre tudo o que aconteceu. É um grande jogo de interesse deles [Vale], e vidas se foram por causa disso. Dinheiro volta, elas não. Oferecem doação e dinheiro, mas isso também não vai trazer meu povo de volta. Eram histórias de vida”, lamenta o homem.

O dia a dia no Córrego do Feijão gira em torno da tragédia, seja pelo convívio diário com os militares, voluntários e helicópteros, seja pela lama visível no vilarejo e a rotina de sepultamentos e velórios. “Para quem ficou, aqui é sinônimo de tristeza. Tenho um cemitério de lama na porta da minha casa. Só Deus para nos sustentar agora”, afirma Adriano.

Entre as tantas pessoas que ele perdeu, a irmã era o elo da família. Adriano morava com ela e as filhas e conta que, quando ouviu o estrondo da barragem com o rompimento, já sabia que algo muito sério acontecia. “Conhecemos a região e eu já trabalhei na mina. O topógrafo que trabalhava lá comigo sempre dizia que se ela estourasse chegaria até o refeitório. Eles sabiam que seria assim”, denuncia. O refeitório, e o complexo administrativo da mineradora, era o ponto fixo de trabalho de Dirce.

Barulho
Quando a barragem se rompeu, Adriano estava em casa com o cunhado, que ouviu o barulho. “Ele me chamou e disse que ouviu um estrondo. Na hora não reparei porque não conseguimos ver a barragem daqui, apenas a mina”, lembra Adriano. Os dois desceram até aonde foi possível chegar, mas a lama já havia tomado tudo. Nessa hora, souberam que Dirce poderia estar em perigo ou ser uma das vítimas. Ainda havia esperança, mas à medida que os dias passavam, esperavam apenas pela certeza de poder enterrá-la.

Dirce tinha 41 anos, criou as filhas sozinha e já tinha dois netos. O irmão e outros familiares contam que ela era uma pessoa muito batalhadora e muito querida na região. O corpo foi encontrado no último sábado (9/2) e enterrado no início desta semana. Um primo de Adriano também foi enterrado, mas outros familiares continuam desaparecidos.

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