Brumadinho: após notícias falsas de resgate, vítima é enterrada

Família sofreu durante duas semanas sem saber se Rodrigo Oliveira estava vivo ou morto. Sepultamento coloca fim às incertezas

Bárbara Ferreira/Especial para o MetrópolesBárbara Ferreira/Especial para o Metrópoles

atualizado 11/02/2019 9:18

Além da dor de saber que um parente poderia estar entre as vítimas do rompimento da Barragem I da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), alguns familiares ainda tiveram de conviver com erros de informação e falsas esperanças. A saga de Rômulo Henrique de Oliveira (foto em destaque) e sua família durou duas semanas.

Rômulo até recebeu a notícia de que seu irmão caçula, Rodrigo, teria sido resgato. Só depois de buscas em hospitais e dados incorretos, a família conseguiu incluir o nome dele na lista de desaparecidos. Na última sexta-feira (8/2), enfim, receberam a ligação com a confirmação de que o corpo de Rodrigo Oliveira havia sido encontrado e identificado pela Polícia Civil.

Para Rômulo, a dor agora “está 60% menor”. “A angústia maior era não poder realizar um rito de passagem e seguir com a vida”, explica. De acordo com o irmão da vítima, o momento mais difícil foi mesmo quando a informação faltou. “Ele era funcionário da empresa, mas mesmo assim ninguém parecia saber o que havia acontecido”, relata.

A saga
“Fomos para Belo Horizonte e rodamos todos os hospitais onde as vítimas poderiam estar. Acionamos amigos policiais, que nos ajudaram nessa busca, mas ninguém o encontrava. No dia seguinte, voltei ao centro de apoio e questionei isso, mas me informaram que a lista da Vale era correta, que, então, ele havia saído com vida. Depois disso, voltamos desesperadamente a procurá-lo”, lembra Rômulo.

Antes de o corpo ser encontrado, a família recebeu até um vídeo de pessoas contando que viram Rodrigo Oliveira agarrado em uma árvore e sendo retirado do local. “Mais uma vez, tivemos esperanças. Imagina como foi tudo isso para os meus pais”, lamenta o irmão da vítima.

“Conseguimos fazer o sepultamento e exigi que ele tivesse pelo menos três coroas de flores, que os helicópteros parassem de passar e que tivéssemos o nosso momento da melhor forma possível. Muitas pessoas passaram por lá, ele era muito querido aqui e por onde ia. Foi um alívio”, destaca Rômulo.

Rodrigo era operador de máquinas, tinha 30 anos, um filho de nove e outros três de criação. Trabalhava na empresa há um ano. Ele estava de férias em janeiro e retornou às atividades cerca de uma semana antes do rompimento da barragem. Para a família, Rodrigo voltou ao local apenas para morrer.

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