Famílias do Brasil leem 4x menos para crianças do que a média mundial

Estudo internacional indicou que crianças brasileiras não conseguem acompanhar a média internacional em habilidades de numeracia

atualizado

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Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Van “Máquina de livros” visita o Distrito Federal
1 de 1 Van “Máquina de livros” visita o Distrito Federal - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

As famílias brasileiras têm um hábito de leitura para crianças de até cinco anos quatro vezes menor do que a média mundial. Constatação é do Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância (International Early Learning and Child Well-being Study – IELS), divulgado nesta terça-feira (5/5).

Enquanto 54% das famílias nos países participantes do estudo relataram ler para as crianças no mínimo três vezes por semana, no Brasil esse número cai para apenas 14%. Segundo o levantamento, 53% das famílias brasileiras relataram nunca fazer leitura para as crianças ou fazê-lo menos de uma vez por semana. 

Apesar disso, as crianças brasileiras conseguem acompanhar a média internacional em habilidades de linguagem e empatia. No entanto, o desempenho cai quando se trata de numeracia, que é a capacidade de compreender, raciocinar e aplicar conceitos matemáticos básicos. Além disso, meninos pretos, pardos e indígenas de baixo nível socioeconômico são os que apresentam as maiores defasagens em quase todos os domínios.

“Esses achados mostram que os desafios de aprendizagem já se revelam na pré-escola. Além disso, as desigualdades socioeconômicas, de gênero e étnico-raciais aparecem na primeira infância, por isso, precisamos agir desde o começo da vida e olhar para as diferentes dimensões da criança”, afirma Marina Chicaro Fragata, diretora de políticas públicas da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.

O levantamento também indicou que a frequência de caminhadas e brincadeiras livres é menor no Brasil. Enquanto a atividade é tida como frequente para 37% das famílias, a média internacional é de 46%.

Já 56% das famílias brasileiras relatam que conversam sobre como as crianças se sentem entre três e sete dias por semana. No resto do mundo, a média é de 76%. Por outro lado, o uso de dispositivos digitais em casa todos os dias é relatado por 50,4% dos responsáveis, contra 46% na média mundial.


Principais achados da pesquisa

  • As desigualdades socioeconômicas geram disparidades significativas no aprendizado de numeracia e literacia emergentes antes mesmo do ingresso das crianças no ensino fundamental
  • O nível socioeconômico baixo está diretamente associado a menores pontuações em funções executivas, sendo a memória de trabalho a habilidade cognitiva mais prejudicada pela vulnerabilidade social
  • Os prejuízos ao desenvolvimento infantil são cumulativos e atingem de forma mais severa meninos pretos, pardos e indígenas que pertencem aos grupos de menor renda
  • A vulnerabilidade econômica restringe a frequência de estímulos no ambiente familiar, resultando em uma prática de leitura compartilhada significativamente inferior à observada em famílias de maior poder aquisitivo
  • O contexto socioeconômico influencia o desenvolvimento de competências socioemocionais, criando hiatos na capacidade de identificação de emoções e na adoção de comportamentos pró-sociais pelas crianças

O Brasil foi o único país da América Latina a participar do estudo. Ao todo,  2.598 crianças participaram do levantamento, distribuídas em 210 escolas — 80% públicas e 20% privadas —, localizadas em três estados brasileiros: Ceará, Pará e São Paulo.  O estudo foi coordenado pelos pesquisadores Mariane Koslinski e Tiago Bartholo, do Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LaPOpE/UFRJ).

Outros oito países participaram do estudo. São eles: Azerbaijão, Bélgica, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Holanda, Malta e Reino Unido.

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