Expectativa de déficit do governo em 2026 é de quase R$ 60 bilhões
Com deduções e itens retirados do cálculo, projeção é de superávit de R$ 3,5 bilhões
atualizado
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) espera um déficit fiscal de R$ 59,8 bilhões em 2026. Valor ultrapassa a meta fiscal prevista para 2026, que prevê superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).
Apesar disso, com as deduções referentes a precatórios, despesas com Forças Armadas e gastos temporários com saúde e educação, foram abatidos do cálculo R$ 63,4 bilhões. Com isso, o resultado do governo ficou superavitário com R$ 3,5 bilhões.
O número foi detalhado no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP), divulgado nesta terça-feira (24/3), documento bimestral que avalia a evolução das receitas e despesas primárias do governo central.
É por meio do relatório bimestral que a equipe econômica decide liberar ou conter gastos com o objetivo de manter a meta fiscal.
- Déficit é quando o governo tem mais despesas do que receitas, superavit é quando acontece o contrário.
Meta fiscal
A meta fiscal de 2026 é de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), com margem de tolerância de 0,25 p.p para cima ou para baixo, ou seja, o piso da meta este ano é o déficit zero, o equilibro entre as despesas e as receitas.
Em 2025, quando o centro da meta fiscal era de déficit zero, o déficit do governo chegou a cerca de R$ 61 bilhões, no entanto, a meta foi considerada cumprida, isso porque a banda de tolerância suportava um déficit de até R$ 31 bilhões e o governo excluiu uma série de despesas do cálculo da meta, que totalizaram R$ 48 bilhões, com isso, para fins de cálculo do resultado primário, o déficit considerado foi de R$ 13 bilhões.
- 2026: superávit de 0,25% do PIB
- 2027: superávit de 0,50% do PIB
- 2028: superávit de 1% do PIB
Receitas e Despesas
Entre as despesas, os principais aumentos vieram da alta nas estimativas para o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que subiu R$ 1,9 bilhão, e para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), com elevação de R$ 1,4 bilhão, levando a uma expansão total de R$ 23,3 bilhões nas despesas primárias, que passaram a R$ 2,636 trilhões, com avanço de R$ 18,9 bilhões nos gastos obrigatórios e de R$ 4,4 bilhões nos discricionários, apesar da redução de R$ 400 milhões em abono e seguro-desemprego.
Já pelo lado das receitas, houve queda de R$ 600 milhões na arrecadação total, para R$ 3,197 trilhões, e recuo de R$ 13,7 bilhões na receita líquida, para R$ 2,576 trilhões, embora esse movimento tenha sido parcialmente compensado pelo aumento de R$ 16,7 bilhões nas receitas com exploração de recursos naturais, impulsionado pela alta do petróleo no cenário internacional.
