Excesso de segurança e protestos marcam casamento de Eduardo Bolsonaro

O presidente da república e pai do noivo, Jair Bolsonaro, chegou acompanhado de um comboio policial, dos filhos e da primeira-dama

Davi NascimentoDavi Nascimento

atualizado 25/05/2019 22:42

Muita segurança e poucos protestos marcaram o casamento do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro. Ele se uniu à psicóloga Heloisa Wolf, em cerimônia na noite deste sábado (25/05/2019), em Santa Teresa, na região central do Rio.

Agentes do Exército e policiais militares montaram guarda em diversos pontos do bairro, e blindados conhecidos como caveirões foram posicionados nos acessos das favelas do bairro. Não houve protestos organizados na porta da casa de festas.

Alguns ainda passantes gritaram “cadê o Queiroz” – alusão a Fabrício Queiroz, ex-assessor de outro filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), sob investigação -, palavrões e insultos. Mas não houve confusão. Atiradores foram posicionados em prédios e pontos altos. O presidente, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, Flávio e outro dos filhos de Bolsonaro, o vereador Carlos, chegaram em comboios, sob escolta.

Eduardo Bolsonaro entrou na cerimônia ao som de “We Are The Champions”, clássico da banda inglesa Queen. A cachorrinha Beretta, mascote do casal, com a guia e a coleira decoradas com flores, estava com a filha caçula do presidente, Laura, de 8 anos. A primeira-dama Michele foi uma das madrinhas – todas usavam vestidos azuis.

De terno azul claro e colete prata, o noivo entrou de braços dados com a mãe, Rogéria Bolsonaro, ex-vereadora, vestida de vermelho. A festa, para 150 convidados, foi em uma área com vista para a Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar e o Corcovado, no bairro construído sobre morros entre as zonas sul e norte – ironicamente, um tradicional reduto da esquerda carioca.

Nem durante a festa o presidente Bolsonaro deixou o Twitter. Desta vez, usou-os para celebrar o casamento do filho. Às 17h15, cumprimentou publicamente o noivo na rede. “25/maio, casamento do 03. Que Deus proteja essa família que se forma nessa data. Aos 35 anos Eduardo entra no time dos homens sérios (kkkkk)”, escreveu Bolsonaro. E publicou uma foto dele com Eduardo, na festa.

O matrimônio foi celebrado pelo pastor Pedro Litwinczuk, presidente da Igreja Comunidade Batista do Rio. Escolhido por Rogéria Bolsonaro, mãe de Eduardo, e conhecido como Pastor Pedrão, ele participou da terceira temporada de “No limite”, primeiro reality show da TV Globo, em 2001. Eleitor declarado do clã Bolsonaro, o religioso chamou atenção pela cabeça raspada e a barba grande.

Protesto
Poucos metros acima da casa de festas, moradores do Condomínio Equitativa – um reduto da esquerda, com adesivos de “Lula Livre” nas áreas comuns – protestaram. Nas fachadas dos apartamentos voltadas para o jardim da casa de festas, eram vistas faixas pretas, com recados aos noivos, como “Não procriem”, e palavras de ordem como “Fora Bolsonaro”.


Caixas de som tocavam hinos da resistência dos anos 60 e 70: “Pra não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré, e “Apesar de você”, de Chico Buarque. Era uma tentativa de abafar a música da festa. “A razão do protesto e, em primeiro lugar, política”, contou a síndica do condomínio, Sandra Gonçalves de Oliveira, 52, uma das organizadoras do ato. “A maioria das pessoas aqui é contra o Bolsonaro.”

Moradores afirmaram também que o bairro foi limpo e postes de iluminação pública consertados especialmente para o casamento. Em geral, não é assim, o que provocou reclamações. “As ruas de acesso são imundas, tem porcos. Hoje para o casamento está tudo lindo”, disse a síndica.

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