Ex-presidente da Petrobras não vê interferência de Lula em exploração
-presidente da Petrobras Jean Paul Prates afirmou que não vê interferência de Lula em autorização do Ibama
atualizado
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O ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates afirmou nesta terça-feira (21/10) que a exploração na Foz do Amazonas não é uma “moeda de troca” e ocorre com responsabilidade pelo Ibama, rebatendo críticas de que a aprovação seria um aceno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
“Um processo tão complexo, tão difícil, técnico e com alta responsabilidade se reduzir a um momento específico de agradar alguém, se alguém está pensando desse jeito […] Isso absolutamente não faz o menor sentido. Isso é um benefício para a Petrobras, para a sociedade brasileira. A cronologia bateu agora”, disse Prates em entrevista o Contexto Metrópoles.
A Petrobras anunciou nessa segunda-feira (20/10) que recebeu autorização para o início da operação de perfuração de um poço exploratório bloco FZA-M-059, localizado na foz do Rio Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.
A autorização era uma reivindicação antiga de Alcolumbre, que é amapaense. Em em nota divulgada à imprensa, ele celebrou e disse que o Brasil “tem condições de explorar suas riquezas naturais de forma responsável”.
COP 30
Prates afirmou que é preciso debater se a exploração é uma contradição ou não, tendo em vista que o Brasil sediará a 30º Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima ou Conferência das Partes neste ano.
“Os fatos foram ocorrendo, as análises, as solicitações de mais estudo, e acabou que ocorreu nesse momento, que eu acho um pouco complexo e complicado, que é a véspera da COP, agora é claro, cabe a nós discutir se isso é realmente uma contradição ou não. Ou se isso faz parte do dia a dia da transição energética”, disse.
Ele avaliou que é preciso fazer um balanço entre os riscos e as necessidades da exploração, mas que o país não chegará a COP “sem moral”, como tem sido discutido entre ambientalistas.
Para ele, o Brasil é um país de matriz energética limpa e que produz petróleo descarbonizado e por isso tem enormes credenciais no âmbito da sustentabilidade.
“Não estamos perdendo nenhum status de liderança de nação sustentável por estar perfurando um poço exploratório”, destacou.
Ele explicou que essa pode ser uma oportunidade de melhorar as condições de vida das comunidades que vivem próximo as regiões que receberão os royalties de exploração.
