Ex-ministro Nelson Teich defende vacinação de crianças contra a Covid
Ex-ministro da Saúde de Bolsonaro explicou que risco de morte de crianças pela doença é muito maior do que possibilidade de miocardite

Se tivesse sobrevivido no cargo até agora, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich estaria defendendo a necessidade de vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19 – indicam suas opiniões atuais. Mas o médico oncologista não ficou nem um mês à frente da pasta (17 de abril a 15 de maio de 2020) e saiu justamente por embates com o presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre como lidar com a gestão da pandemia.
Em postagem nas redes sociais nesta segunda-feira (27/12), Teich falou sobre os dados disponíveis e avaliou que eles indicam com clareza que “o certo é vacinar as crianças de 5 a 11 anos”.
Em vídeo, Teich analisou o principal argumento de pais que resistem à vacinação: o risco aumentado de a criança desenvolver uma doença no coração chamada miocardite. O médico trouxe dados sobre a ocorrência do problema nos Estados Unidos, onde 5 milhões de crianças foram vacinadas e 8 casos de miocardite foram registrados entre elas.
“No Brasil temos 20 milhões de crianças nessa fixa etária, aproximadamente. Se mantiver a mesma proporção dos EUA, até 32 delas poderiam desenvolver miocardite. E, levando em conta a taxa de mortalidade da miocardite, uma dessas 32 poderia morrer”, enumerou.
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Ver todas“E os dados mais conservadores indicam que, nesses dois anos de pandemia, pelo menos 150 crianças de até 11 anos morreram de Covid. Levando em conta a eficácia da vacina, podemos dizer que 142 delas poderiam ter sido salvas se houvesse imunização. Estamos falando, então, de uma morte em potencial por miocardite e 142 mortes por Covid que realmente ocorreram, então, não há dúvida: tem que vacinar”, complementou ele, que ainda explicou que pegar Covid-19, no caso de crianças, também aumenta o risco do desenvolvimento de miocardite:
“O risco de miocardite pela Covid é pelo menos sete vezes maior do que pela vacina. Então, o argumento [dos resistentes à vacina] não se sustenta. Claro que nenhuma vacina vai funcionar 100% e sempre se poderá usar casos isolados de fracasso [para mostrar], mas os sucessos você não vê, pois as crianças estão bem”, argumentou Nelson Teich. Veja o vídeo completo:
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Novela da vacinação de crianças
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) incluiu crianças de 5 a 11 anos na bula da vacina da Pfizer contra a Covid-19 no último dia 16 de dezembro. O presidente Jair Bolsonaro se mostrou muito incomodado com a liberação do imunizante para esse público e, desde então, o Ministério da Saúde tem usado questões burocráticas para retardar o início da vacinação.
A pasta comandada pelo médico Marcelo Queiroga ainda promove uma consulta pública sobre o tema, mas anunciou que a imunização para esse público deve começar em janeiro do ano que vem. “No dia 5 de janeiro, após ouvir a sociedade, a pasta formalizará sua decisão e, mantida a recomendação, a imunização desta faixa etária deve iniciar ainda em janeiro”, informou o ministério em nota divulgada na tarde desta segunda.



