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Brasil

Ex-comandante da FAB diz ter temido golpe e “ruptura entre tropas”

Carlos Baptista Júnior afirma que risco de golpe foi iminente e descreve reuniões com Bolsonaro e comandantes das Forças Armadas

18/08/2026 11:01, atualizado 18/08/2026 11:39
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Imagem colorida de Carlos de Almeida Baptista Junior - Metrópoles

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Carlos de Almeida Baptista Júnior afirmou que o Brasil esteve diante de risco iminente de ruptura institucional após as eleições presidenciais de 2022, no fim do governo de Jair Bolsonaro (PL).

“As Forças Armadas são muito grandes. Eu não sabia qual era a posição do almirantado. Eu sabia a posição do almirante Garnier [comandante da Marinha e, segundo ele, favorável ao golpe], a posição do Alto Comando da Aeronáutica, mas as pressões foram muito grandes em cima de todos os comandantes militares. Eu temia por uma ruptura entre tropas”, disse Baptista Júnior, em entrevista à Folha.

O relato consta no livro que o militar acaba de lançar – Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista –, no qual ele expõe bastidores das reuniões realizadas no fim do governo Jair Bolsonaro e pressões para que as Forças Armadas participassem de  iniciativa destinada a impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Baptista Júnior, o então presidente apresentou aos comandantes militares alternativas que poderiam alterar o resultado das eleições e permanecer no poder. O ex-comandante da FAB afirma que a situação chegou a um ponto de grande tensão, especialmente diante da possibilidade de integrantes do Exército adotarem medidas por conta própria.

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O militar conta que se posicionou contra qualquer iniciativa que ultrapassasse os limites constitucionais. A posição, segundo o próprio relato, foi compartilhada pelo então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes. A resistência dos dois comandantes teria sido decisiva para impedir que a proposta avançasse dentro das Forças Armadas.

Pressão sobre os militares

Baptista Júnior descreve ambiente de pressão crescente nos últimos meses de 2022. Após a derrota de Bolsonaro nas urnas, manifestações de apoiadores do então presidente se concentraram em frente a quartéis, enquanto setores defendiam intervenção das Forças Armadas.

De acordo com o ex-comandante, havia preocupação com a possibilidade de ações isoladas de militares, o que poderia desencadear confrontos e crise institucional de maiores proporções.

Ele também explica sua posição contrária à retirada imediata dos manifestantes dos acampamentos instalados em frente aos quartéis. Na avaliação apresentada pelo militar, intervenção naquele momento poderia provocar confrontos violentos e aumentar o risco de escalada da crise.

O ex-comandante da Aeronáutica já havia afirmado, em depoimentos anteriores, que participou de reuniões nas quais foram discutidas medidas para impedir a posse do presidente eleito. Em seu novo relato, ele reforça que a possibilidade de ruptura não era apenas hipótese distante e pontua que o risco chegou a ser concreto.