Euro atinge valor mais baixo em 20 anos

Em meio a temores de recessão, moeda europeia cai para seu menor valor em relação ao dólar desde 2002

atualizado 05/07/2022 18:15

notas de euroReprodução

Em meio a um novo aumento dos preços do gás e o consequente agravamento dos temores de uma recessão na União Europeia (UE), a moeda comum do bloco europeu despencou nesta terça-feira (5/7) para seu menor valor em relação ao dólar americano em duas décadas.

O crescimento econômico da zona do euro estagnou, enquanto os preços subiram vertiginosamente, em consequência ao impacto econômico da guerra na Ucrânia. Mas quão grave é a queda do euro?

O euro caiu 1,3% em relação à moeda americana e fechou a 1,0281 dólar – o valor mais fraco desde dezembro de 2002. A queda faz parte de uma tendência de longo prazo: apenas em 2022, o euro desvalorizou 8% em relação ao dólar. A movimentação aproxima o euro da paridade com o dólar – algo inédito desde a criação da moeda europeia em 1999 (primeiro como moeda escritural e, posteriormente,  a partir de 1º de janeiro de 2002, como moeda corrente).

Moedas relacionadas com o euro, como o florim húngaro, o zloty polonês e o leu romeno, também enfraqueceram consideravelmente em relação ao dólar americano.

Enquanto isso, os índices de ações nas bolsas de Frankfurt, Londres e Paris caíram mais de 1% no final da manhã desta terça-feira, em meio a preocupações de uma desaceleração econômica em toda a Europa.

A venda do euro também sofreu uma queda para o nível mais baixo em relação ao franco suíço desde 2015, quando o Banco Nacional Suíço aboliu o seu mecanismo de teto cambial. O euro também caiu em relação à libra, apesar de a moeda britânica enfrentar seus próprios percalços econômicos.

Outras moedas, como o iene japonês e o dólar australiano, também têm enfrentado dificuldades, em meio a apreensões com uma recessão global e  um dólar americano – considerado um porto seguro em tempos de insegurança financeira – em alta desenfreada.

Por que o euro está caindo?

A queda do euro está ligada aos plausíveis temores crescentes de uma recessão nos 19 países da zona do euro. Pesquisas indicaram uma desaceleração do desenvolvimento dos negócios em toda a União Monetária. Os dados sugerem que a região pode entrar em declínio à medida que o aumento do custo de vida reduz o consumo.

O índice mensal de gestores de compras (Purchasing Managers Index – PMI) da empresa de análises financeiras S&P Global – um indicador de confiança corporativa – caiu de 54,8 em maio para 52,0 em junho.

Na segunda-feira (4/7), o vice-presidente do Banco Central Europeu, Luis de Guindos, alertou que a economia da eurozona pode enfrentar uma recessão, se a indústria for forçada a se ajustar à escassez de energia.

Os preços do gás na Europa atingiram o pico mais alto em quatro meses, em meio a preocupações com a oferta, após a suspensão parcial do fornecimento por parte da Rússia. Greves na indústria de petróleo e gás norueguesa exacerbaram as inquietações quanto ao abastecimento.

A queda do euro também está atrelada a um aumento no valor do dólar americano, uma vez que o Federal Reserve dos EUA (FED) manteve o aumento das taxas de juros como ferramenta de combate à inflação. A agressividade da estratégia americana contrasta com a do Banco Central Europeu, que planeja aumentos mais moderados das taxas de juros.

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