Estudo: pós-Covid gera depressão e ansiedade em parte dos infectados

Pesquisa feita no Hospital das Clínicas da USP mostra que 51% dos infectados apresentaram perda de memória de seis a nove meses após doença

atualizado 07/02/2022 11:57

Teste covidGetty Images

São Paulo – Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que ao menos 51,1% dos participantes apresentaram problemas de perda de memória entre seis e nove meses após serem infectados por Covid-19.

A pesquisa ainda identificou uma alta prevalência de outros déficits cognitivos e transtornos psiquiátricos. O estudo foi feito Hospital das Clínicas e observou 425 pacientes.

Além dos que relataram declínio da memória, outros 13,6% desenvolveram transtorno de estresse pós-traumático e 15,5% apresentaram transtorno de ansiedade generalizada – sendo que em 8,14% deles o problema surgiu após a doença.

Já 8% dos pacientes foram diagnosticados com depressão – em 2,5% deles, somente após a internação por Covid-19.

Rodolfo Damiano, médico residente do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e primeiro autor do artigo, destaca que um dos principais achados é que nenhuma das alterações cognitivas ou psiquiátricas observadas nos pacientes se correlaciona com a gravidade do quadro.

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“Também não vimos associação com a conduta clínica adotada no período de hospitalização ou com fatores socioeconômicos, como perda de familiares ou prejuízos financeiros durante a pandemia de Covid-19”, afirma.

Os resultados foram publicados na revista General Hospital Psychiatry. As informações são da Agência Fapesp.

Efeitos da Covid a longo prazo

Este estudo é parte de um projeto que acompanha pacientes Covid atendidos pelo Hospital das Clínicas entre 2020 e 2021, para avaliar eventuais sequelas deixadas pela doença a longo prazo, em diversas áreas.

“Uma de nossas preocupações era entender se esse vírus e a doença por ele causada têm impacto no longo prazo, produzindo manifestações tardias no sistema nervoso central”, conta Eurípedes Constantino Miguel Filho, que orientou o estudo sobre os efeitos neuropsiquiátricos dos pacientes que contraíram o vírus,.

Para ele, o fato de não ter sido encontrada uma relação de causa e efeito entre a condição psiquiátrica e a gravidade da doença ou fatores externos (como realidade socioeconômica ou vivências traumáticas) corrobora a hipótese de que alterações tardias relacionadas à infecção pelo SARS-CoV-2 podem influenciar nesses transtornos e que o vírus também afeta o sistema nervoso central.

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