Estudantes que deram choques em sem-teto são liberados após depoimento.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram dois estudantes de direito rindo durante a agressão. Caso ocorreu em área nobre de Belém (PA)

Dois estudantes de direito suspeitos de agredir um homem em situação de rua com uma arma de choque prestaram depoimento nesta terça-feira (14/4) em uma delegacia do bairro São Brás, em Belém (PA). Após serem ouvidos, eles foram liberados.
Os jovens, ambos de 18 anos, foram identificados como Altermar Sarmento Filho, apontado como o responsável por utilizar o dispositivo, e Antônio Coelho, que teria filmado a ação.
O caso ocorreu na manhã de segunda-feira (13/4) em frente ao campus do Centro Universitário do Pará (Cesupa), no bairro Umarizal, área nobre da capital paraense.
Antônio foi o primeiro a prestar depoimento. A defesa informou que aguarda acesso integral ao inquérito policial para se manifestar.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAltermar também compareceu à delegacia acompanhado de advogado e foi ouvido no fim da manhã. Segundo a defesa, ele optou por permanecer em silêncio.
O advogado Humberto Buoulhosa afirmou ainda que o dispositivo utilizado não seria letal, pois estaria danificado.
Em nota, a Polícia Civil do Pará (PCPA) informou que o caso foi registrado na Seccional de São Brás e que um inquérito foi instaurado para apurar os fatos.
A arma de choque foi apreendida e será submetida à perícia.
Entenda o caso
- Imagens que circulam nas redes sociais mostram os estudantes correndo em direção ao homem, que caminha de costas.
- Em pelo menos dois momentos, o grupo aciona o taser contra a vítima, sem qualquer possibilidade de defesa.
- Segundo testemunhas, entregadores de aplicativo que passavam pela região se revoltaram com a agressão.
- As imagens também mostram os dois estudantes rindo durante a agressão. O caso causou indignação nas redes sociais e levou as autoridades a reagirem.
- Os entregadores de aplicativo que presenciaram a agressão tentaram perseguir os suspeitos, porém eles fugiram para dentro do Cesupa.
- A Polícia Militar do Pará (PMPA) foi chamada e, ao chegar ao local, a equipe encontrou uma agitação de pessoas em frente à instituição de ensino.
A PCPA declarou que o caso ainda está sendo investigado para determinar as circunstâncias das agressões e verificar se os suspeitos estão envolvidos em outros incidentes semelhantes.
MPF abre apuração
O Ministério Público Federal (MPF) também abriu apuração sobre a agressão. A investigação foi iniciada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) no estado, após a divulgação do vídeo nas redes sociais.
Como medida inicial, o procurador Sadi Machado requisitou informações à universidade para onde o agressor teria retornado após o ataque, com prazo de 48 horas para resposta. Ele também entrou com representação criminal contra o agressor no Ministério Público do Pará (MPPA).
Alunos serão afastados, diz universidade
O Cesupa lamentou o ocorrido e informou que colaborou com as autoridades assim que tomou conhecimento dos fatos.
A instituição afirmou, ainda, que os alunos envolvidos serão afastados das atividades acadêmicas.
Segundo a universidade, o Regulamento Geral e o Código de Ética e Conduta serão aplicados para a devida responsabilização. Um procedimento interno foi aberto para apurar o caso.









