Estadão fecha Rádio Eldorado e demite funcionários

Em nota, Estadão alegou motivos financeiros e afirmou que estuda a realocação de parte da equipe

atualizado

metropoles.com

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Divulgação/Rádio Eldorado
Estúdio da Rádio Eldorado
1 de 1 Estúdio da Rádio Eldorado - Foto: Divulgação/Rádio Eldorado

O Estadão comunicou, na última quarta-feira (22/4), o fim da Rádio Eldorado, que estava no ar há 68 anos. A decisão foi passada para os funcionários em reunião. A informação foi publicada pela Folha de S. Paulo e confirmada pelo Metrópoles.

Em nota, o Grupo Estado diz que o fechamento da Eldorado “se insere em um movimento mais amplo de reposicionamento estratégico do Estadão”, culpa “mudanças profundas nos hábitos de consumo de áudio” e cita o “crescimento acelerado das plataformas de streaming musical”.

Apesar dos funcionários da Eldorado teriam sido informados na reunião que toda a equipe — composta por cerca de 60 trabalhadores — seria demitida, o Estadão sustenta que “não procede a informação de que todos os funcionários serão desligados”. “Ainda estão sendo realizados estudos para reaproveitamento de parte da força de trabalho em outras áreas do Grupo Estado”, afirmou a assessoria de imprensa do Estadão.

“O Estadão expressa seu profundo reconhecimento a todos os profissionais que construíram a história da Rádio Eldorado, bem como aos ouvintes que, ao longo dos anos, fizeram dela um espaço de encontro, descoberta e valorização da música de qualidade”, diz a nota (confira o texto na íntegra abaixo).

R$ 1,12 milhão do Master

Como mostrou o Metrópoles, o Estadão recebeu R$ 1,12 milhão diretamente do Banco Master. Procurado pelo Metrópoles, o jornal confirmou que cobrou os valores de Daniel Vorcaro em troca de divulgar publicidade institucional do banco, incluindo campanhas de captação de clientes e de abertura de contas

Segundo o Estadão, o montante também incluiu o patrocínio da cobertura, pelo periódico, do GP Brasil de Fórmula 1, além da aquisição de mídia digital e da publicação de informe publicitário.

O valor, no entanto, não contempla outros projetos, como eventos patrocinados pelo Master.

Os contratos foram firmados entre 2021 e 2025. Vorcaro foi preso pela primeira vez em 2025, acusado de fraudar o sistema financeiro.

Em nota, a assessoria de imprensa do Estadão afirmou que os “valores são brutos, antes da comissão de agência, e refletem os montantes efetivamente negociados, não os preços de tabela”.

Os contratos foram firmados entre 2021 e 2025. Vorcaro foi preso pela primeira vez em 2025, acusado de fraudar o sistema financeiro.

Em nota, a assessoria de imprensa do Estadão afirmou que os “valores são brutos, antes da comissão de agência, e refletem os montantes efetivamente negociados, não os preços de tabela”.

O jornal dos banqueiros

A comercialização de publicidade para o Master não é a única ligação entre o Estadão e o grupo de Vorcaro.

Como revelou o Metrópoles, o jornal contratou a gestora de Maurício Quadrado, sócio de Vorcaro no banco e na PrimeYou, para estruturar uma operação que captou recursos de grandes instituições financeiras e empresas privadas, com o objetivo de evitar a insolvência do veículo.

Itaú, Santander e Bradesco aportaram R$ 45 milhões no Estadão. Outras empresas também participaram da operação, com investimentos adicionais que somam R$ 142,5 milhões a partir de 2024.

A estrutura do acordo foi além de um simples empréstimo. Segundo o Metrópoles revelou, os investidores passaram a ter direito a três das seis cadeiras no conselho de administração, além de poder de veto em decisões estratégicas do Estadão.

Como o Estadão não tem um conselho editorial, decisões, inclusive sobre o conteúdo publicado, ficam sob responsabilidade do conselho de administração.

Além dos bancos, as seguintes empresas investiram no Estadão:


Na operação, as empresas abaixo investiram os seguintes valores:

  • Cosan: R$ 15 milhões
  • Hapvida: 15 milhões
  • Votorantim: R$ 15 milhões
  • Ultra: R$ 7,5 milhões
  • Unipar: R$ 7,5 milhões
  • Pátria Investimentos: R$ 7,5 milhões
  • JHSF: R$ 7,5 milhões
  • Galápagos Capital: R$ 7,5 milhões
  • Santalice Administração Ltda. (Cutrale): R$ 15 milhões

Quem faz parte do conselho de administração do Estadão

Pelo jornal:
Francisco de Mesquita Neto
Roberto Crissiuma Mesquita
Manoel Lemos

Pelos investidores:
Marcelo Pereira Malta de Araújo – ex-executivo do grupo Ultra
Marco Bologna – sócio da Galápagos
Tito Enrique da Silva Neto – ex-presidente do Banco ABC

Leia o comunicado do Estadão

“A Rádio Eldorado ocupa, há décadas, um lugar singular na vida cultural de São Paulo. Referência em curadoria musical, jornalismo e programação de qualidade, tornou-se um patrimônio afetivo e intelectual de gerações de ouvintes, contribuindo de forma decisiva para a formação de repertório, a difusão de artistas e o fortalecimento da cena cultural da cidade.

Nos últimos anos, sobretudo após a pandemia, entretanto, observamos mudanças profundas nos hábitos de consumo de áudio. O crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares têm impactado de forma estrutural o papel das rádios FM tradicionais.

Atento a essas tendências, o Estadão vem revendo sua estratégia no segmento de áudio. Em função do término da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM, a operação de radiodifusão da Eldorado será encerrada no próximo dia 15 de maio.

Essa decisão se insere em um movimento mais amplo de reposicionamento estratégico do Estadão, que vem ampliando de forma consistente sua presença digital. Nos últimos dois anos, a companhia intensificou sua produção audiovisual, por exemplo, com a contratação de 14 colunistas com atuação multiplataforma, responsáveis por conteúdos em texto e vídeo. Esse esforço permitiu expandir de maneira significativa a presença do Estadão em suas plataformas próprias — site e aplicativo —, bem como em redes sociais e canais de vídeo.

A aquisição da NZN, em outubro de 2025, reforçou essa trajetória. Os ativos digitais do TecMundo ampliaram a capacidade de distribuição e produção audiovisual, enquanto a sede da empresa foi convertida em um hub de criação na região de Higienópolis — a “Blue House” — dedicado ao desenvolvimento de novos formatos e linguagens.

O encerramento da operação de radiodifusão da Eldorado não representa o fim de sua marca. A Eldorado seguirá presente em projetos especiais e eventos, preservando seu papel como referência cultural. Alguns de seus principais programas, incluindo iniciativas como Som a Pino e Clube do Livro, serão redesenhados e adaptados para novos formatos, com ênfase em vídeo e distribuição digital. Esta transição permitirá ao Estadão oferecer aos seus parceiros comerciais formatos mais segmentados, mensuráveis e aderentes aos novos hábitos de consumo de conteúdo.

O Estadão expressa seu profundo reconhecimento a todos os profissionais que construíram a história da Rádio Eldorado, bem como aos ouvintes que, ao longo dos anos, fizeram dela um espaço de encontro, descoberta e valorização da música de qualidade.”

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