Entidades filantrópicas bancarão hospedagem de países pobres na COP30

Em meio à alta nos preços das hospedagens, governo brasileiro busca alternativas para garantir a participação de países na COP30

atualizado

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Rafael Medelima/COP30
Belém, sede da COP30
1 de 1 Belém, sede da COP30 - Foto: Rafael Medelima/COP30

A menos de 20 dias para a abertura da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), entidades filantrópicas entraram em campo para apoiar a participação de países em desenvolvimento no evento. De acordo com o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, organizações aceitaram disponibilizar recursos privados a pedido do governo brasileiro.

“O governo brasileiro conseguiu recursos privados muito generosos para que a gente possa pagar três quartos para cada país que está na lista dos países de menor desenvolvimento relativo, para as pequenas ilhas e para os países africanos”, afirmou o embaixador em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (23/10).

O governo não informou o montante que será disponibilizado, nem as entidades que vão contribuir com as doações. A lista de países de menor desenvolvimento relativo, definido pela ONU, abarca 44 países.

Segundo Corrêa do Lago, o esforço complementa outras medidas para ampliar a participação de países mais pobres na COP30. O Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) já havia anunciado apoio a países latino-americanos e do Caribe.

“Com isso, nós vamos ter um apoio significativo para que todos os países em desenvolvimento possam estar presentes na COP30”, ressaltou.

O alto custo das diárias em Belém (PA) foi motivo de críticas e levou o governo a montar uma força-tarefa para solucionar a crise. Até a semana passada, 162 países haviam confirmado presença no evento.

Apelo sobre adaptação

Nesta quinta, a presidência da COP divulgou uma nova carta oficial na qual cobra o aumento de recursos voltados ao financiamento de ações de adaptação climática. O documento, assinado por Corrêa do Lago, ressalta que a mudança do clima tem gerado impactos diretos em países subdesenvolvidos, que sofrem com a falta de recursos para se recuperar.

“Apesar de compromissos sucessivos, o financiamento para adaptação ainda representa menos de um terço do total do financiamento climático, muito aquém das necessidades. A falta crônica de investimentos deixa os países vulneráveis, obrigando-os a desviar recursos escassos da saúde, da educação e da infraestrutura para respostas emergenciais e ações de recuperação”, diz a carta.

A adaptação climática diz respeito ao processo de ajuste em infraestrutura e práticas ambientais com objetivo de prevenir danos e reduzir os efeitos da mudança do clima nas cidades.

O embaixador convocou países a “aumentarem a quantidade e a qualidade do financiamento”. “Encorajo os países e as instituições a aumentarem a quantidade e a qualidade do financiamento para adaptação, garantindo que ele chegue aos mais vulneráveis”, pontuou.

“Para os países desenvolvidos, o financiamento da adaptação é um investimento inteligente, que gera estabilidade global e benefícios domésticos. Para os países em desenvolvimento, a adaptação traz resultados capazes de atrair investimentos e evitar custos muito maiores no futuro: salva vidas, protege empregos, resguarda a infraestrutura e reduz desigualdades. Além disso, prepara esses países para esforços sólidos de mitigação”, prossegue o documento.

Pesquisa de petróleo na Foz do Amazonas

Em entrevista a jornalistas, o presidente da COP também comentou a decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de liberar a licença para pesquisa de petróleo na foz do Rio Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. O projeto é alvo de críticas por ambientalistas.

Para Corrêa do Lago, a medida não vai afetar as negociações na conferência do clima. “De certa forma, [a decisão do Ibama] fortalece a posição do Brasil como um país que tem que fazer escolhas. Eu acredito que o Brasil demonstrou que esse tema está sendo tratado ao mesmo tempo muito institucional, e que nós temos instituições que estão debatendo essa transição de maneira muito aberta, transparente, institucional no nosso país”, avaliou.

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