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Brasil

Empresária negra denuncia loja após ser acusada de roubar vestido

A vítima publicou um vídeo no qual relata constrangimento na abordagem por um funcionário da Lojas Leader, em um shopping no Rio de Janeiro

15/06/2021 18:23, atualizado 17/06/2021 17:55
Reprodução/Instagram
Empresária negra denuncia loja por falso roubo de vestido de R$ 25

Rio de Janeiro – A empresária negra Juliane Ferraz, de 24 anos, acusa a Lojas Leader de calúnia após a denúncia do roubo de um vestido que custa R$ 25. O caso aconteceu no NorteShopping, Zona Norte do Rio de Janeiro, na última quinta-feira (10/6).

Juliane publicou um vídeo nas redes sociais (assista abaixo) no qual relata ter sido seguida e abordada por um funcionário da loja. Ela diz ter ido comprar um vestido para a enteada e, por não saber o tamanho da roupa que ela veste, levou uma peça de casa para comparar as medidas.

“Eu peguei o vestido que estava na minha bolsa, olhei, comparei com o vestido que estava na arara, vi que não cabia, devolvi. Ainda tive o cuidado de levantar a minha bolsa no alto para gravar bem. A gente que é preto tá acostumado com essas desconfianças que as pessoas desenvolvem na gente”, afirma.

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Segundo seu relato, Juliane disse que saiu do local normalmente, mas notou ser observada por um fiscal da Leader. Ela diz que o funcionário a abordou 30 minutos depois de ela ter deixado a loja.

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Ele, que estava acompanhado de um segurança do shopping, disse que Juliane teria pegado um vestido e “esquecido de pagar”. A empresária negou e respondeu que o vestido que carregava na bolsa era dela e apenas o usou para medir o tamanho com a peça da loja.

No entanto, o fiscal da Leader desconfiou da versão de Juliane, que apenas reforçou o que disse inicialmente.

Veja:

“Constrangimento”

Juliane conta que decidiu acompanhar o fiscal para ver o vídeo na loja, mas ele sacou o celular com as imagens registradas pela câmera de segurança. Nesse momento, eles estavam na praça de alimentação do shopping, que tinha movimentação de curiosos.

No vídeo, a empresária diz que o funcionário da Leader viu na câmera justamente o que ela havia relatado. O fiscal teria se desculpado com ela pelo “despreparo”, mas Juliane afirmou não o ter perdoado.

“O que eu passei ontem eu nunca vou esquecer. A humilhação, o constrangimento… Assim, horrível, horrível. Não desejo isso pra ninguém nunca, sabe? O achismo dele me fez passar por uma situação constrangedora […] Não existe mimimi, existe uma dor, uma perseguição, uma coisa que não acaba, que não passa, que dói, que machuca”, desabafa.

Juliane Ferraz registrou o caso como calúnia no 23º DP do Méier. Em nota, a Lojas Leader disse que “não aprova atitudes dessa natureza”.

Veja a nota abaixo:

“O que aconteceu nos envergonha a todos da Leader, como colaboradores e como cidadãos. Não vamos nos esconder atrás de notas e argumentos. Reforçamos aqui o nosso pedido de desculpas à Juliane, a quem procuramos pessoalmente, antes de qualquer coisa, para nos desculparmos e oferecer nosso apoio. O responsável pela abordagem totalmente equivocada já foi afastado. Mas nossa ação de reparo não se limita a isso. Vamos levar o caso para reforçar nossos treinamentos. Apresentaremos cada detalhe aos nossos times, cada erro, e reiteraremos o respeito ao ser humano, como já explicita nosso Código de Ética. Somos uma empresa de 70 anos de existência que figura entre as mais amadas e respeitadas pelos colaboradores em várias pesquisas. Nos orgulhamos disso e não abrimos mão de seguirmos assim. Fica aqui nosso pedido de desculpas sincero e a certeza de que não deixaremos que se repita com outras pessoas.”