Em meio a fake news sobre o RS, GT sobre o tema está travado na Câmara
Presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aguarda partidos fazerem as indicações de membros. Grupo foi anunciado há 35 dias, em 9 de abril

Em meio a onda de desinformações espalhadas nas redes sociais envolvendo a tragédia climática que acomete o Rio Grande do Sul, o grupo de trabalho para discutir o novo projeto sobre Fake News segue sem previsão de ser instalado na Câmara dos Deputados. Anunciado pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), em 9 de abril, o GT ainda não tem todos os indicados.
Passados 35 dias do anúncio, Lira recebeu só os nomes indicados de seis siglas: Novo, PSD, PP, PT, MDB e PCdoB. A bancada do PL, a maior da Câmara, ainda não entregou sua lista ao presidente da Câmara. O União Brasil, terceiro maior partido da Casa, também não.

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Ver todasSó quando todos as legendas fizerem suas indicações é que Lira vai decidir quais deputados vão participar do grupo de trabalho. Com as eleições municipais se aproximando e o Congresso mais esvaziado, a proposta pode acabar não andando neste ano na Casa.
Sem uma legislação vigente que seja clara sobre a divulgação de informações falsas e sobre a responsabilidade das plataformas, as notícias inverídicas sobre a situação do Rio Grande do Sul não param de subir conforme os dias passam. Uma pesquisa da Quaest divulgada no domingo (12/5) mostra que 31% dos brasileiros disseram ter recebido alguma notícia falsa sobre a tragédia no estado.
Projeto anterior engavetado
Tramitava na Câmara o projeto de lei nº 2630/2020, que ficou conhecido como PL das Fake News. O texto foi aprovado em 2020 pelo Senado Federal e esperava apreciação da Casa Baixa, sob relatoria do deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP).
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO projeto era alvo de forte resistência pela oposição, que alegava censura na regulamentação das redes sociais. As plataformas digitais também realizaram forte lobby contra a votação do texto.
Ao anunciar o grupo de trabalho para escolher o novo texto, Lira disse que o PL das Fake News estava “fadado a não ir a canto nenhum”.
“O texto teve os problemas daquela comissão, daquela agência reguladora, de todas as versões feitas e praticadas pelas redes sociais, com relação à falta de liberdade de expressão, censura. E quando um texto ganha uma narrativa como essa, ele simplesmente não tem apoio”, argumentou o presidente da Câmara.
Já o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), defendia a aprovação do texto e contestou o argumento de que o projeto “limitava a liberdade de expressão”. Para Pacheco, a regulamentação é necessária “para que não haja captura de mentes de forma indiscriminada, que possa manipular informações, disseminar ódio, violência, ataques às instituições”.



