Em júri, réu confessa morte 3 anos após sumiço de caminhoneiro e indica lugar do corpo
Felipe Silveira Noronha admitiu ter matado Luciano Boeira Melos, desaparecido desde 2023. Polícia encontrou um osso na área indicada

Três anos após o crime, o julgamento dos quatro acusados pela morte do caminhoneiro Luciano Boeira Melos, de 27 anos, ganhou um novo rumo após a confissão de um dos réus.
Durante interrogatório na noite de segunda-feira (28/7), em Bom Jesus (RS), Felipe Silveira Noronha admitiu ter matado a vítima com tiros de rifle e revelou onde escondeu o corpo.
Com a informação, a Polícia Civil (PCRS) realizou buscas na área indicada nesta terça-feira (29/7) e encontrou um osso. O material será submetido à perícia, que deve confirmar se pertence a Luciano. As diligências ocorreram ao mesmo tempo em que o Tribunal do Júri dava continuidade ao julgamento.
Em depoimento, Felipe afirmou que matou o caminhoneiro após descobrir, um dia antes do crime, que Luciano mantinha um relacionamento extraconjugal com sua esposa, Fabiana Silveira Noronha.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesCaminhoneiro desapareceu após marcar encontro; relembre
- Luciano desapareceu na noite de 26 de julho de 2023. Na ocasião, saiu de casa de motocicleta para encontrar Fabiana em uma propriedade rural na localidade de Caraúno.
- Antes de chegar ao destino, enviou uma mensagem de áudio ao irmão informando que iria se encontrar com a mulher e que, caso algo acontecesse, a família saberia onde ele havia ido. Esse foi o último contato dele com os familiares.
- Segundo a investigação da polícia e a denúncia do Ministério Público (MPRS), o homicídio teria sido planejado no dia anterior ao desaparecimento.
- De acordo com a acusação, após descobrirem o relacionamento entre Fabiana e Luciano, Felipe e José Balduíno Saraiva (marido e pai da mulher, respectivamente) combinaram que ela seria perdoada pela traição desde que o caminhoneiro fosse morto.
- Ainda conforme a denúncia, Fabiana teria marcado o encontro com Luciano por meio de uma mensagem enviada pelo Facebook, sob o pretexto de conversar sobre o futuro do relacionamento. No local, ela estaria acompanhada de Felipe, do irmão dele, Flávio Silva Noronha, e de José Balduíno.
- Para o MPRS, Luciano foi morto por motivo torpe, relacionado à traição, e sem qualquer possibilidade de defesa.
Réu assume autoria e isenta os demais
Os quatro réus respondem em liberdade pelos crimes de homicídio duplamente qualificado — por motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa da vítima –, ocultação de cadáver e fraude processual.
Durante o interrogatório, Felipe afirmou que agiu sozinho na execução do crime e utilizou uma arma de sua propriedade. Segundo ele, os outros três acusados não participaram do homicídio.
Ele declarou que o irmão, Flávio, apenas ajudou a retirar a motocicleta da vítima do local do crime. Os depoimentos de Fabiana e de Flávio seguiram a mesma versão, atribuindo exclusivamente a Felipe a autoria do assassinato.
Já José Balduíno Saraiva exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio.
Felipe também contou que colocou o corpo de Luciano sobre um cavalo e percorreu cerca de três quilômetros por propriedades vizinhas.
Em seguida, disse ter escondido o cadáver em uma fenda entre rochas, próxima a uma cachoeira, cobrindo o local com pedras.

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Ver todasJulgamento continua
No primeiro dia do julgamento, oito testemunhas foram ouvidas. A mãe de Luciano relembrou o desaparecimento do filho e as buscas feitas pela família. Já o delegado Gustavo Costa do Amaral, responsável pelo inquérito, detalhou as investigações e a análise dos celulares dos envolvidos.
Nesta quarta-feira (29/7), o Tribunal do Júri realiza os debates entre acusação e defesa. A expectativa é de que a votação dos jurados ocorra ainda durante a noite.













