Em balanço após eleições, PT nega derrotas e busca resgatar Lula para 2022

Mesmo encolhendo, partido exaltou resultados de 2020, considerando que tem musculatura para ser cabeça de chapa nas eleições presidenciais

atualizado 08/12/2020 20:19

Bandeira PT - Partido PoliticoDaniel Ferreira/Metrópoles

São Paulo – O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta terça-feira (8/12) seu balanço oficial após os resultados das eleições municipais de 2020.

No comunicado, intitulado “Declaração política do Partido dos Trabalhadores”, o partido diz que é necessário construir o fortalecimento da esquerda para as próximas eleições, o que incluiria o “resgate dos direitos políticos do presidente Lula”.

O partido também exalta seus resultados eleitorais em 2020, rebatendo o que considera “uma visão derrotista imposta aos partidos de esquerda”.

A interpretação positiva do PT de sua performance eleitoral deste ano é a tentativa de convencer outros partidos de esquerda de que o partido merece o protagonismo numa eventual chapa de união de esquerdas em 2022.

Lula em 2022

O PT considera que é necessário fortalecer a esquerda construindo as “condições políticas para disputar as próximas eleições presidenciais”.

Na visão petista, essa construção envolve quatro pontos: trabalhar para garantir o acesso à vacina contra a Covid-19; defender a manutenção do auxílio emergencial e criar soluções neste sentido; criar políticas de emprego; e “devolver o processo político brasileiro à normalidade democrática, com o resgate dos direitos políticos do presidente Lula.”

Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ele próprio que o PT deve ser cabeça de chapa em novembro, durante live com a então candidata para a Prefeitura do Rio de Janeiro, Benedita da Silva.

“Eu vou te garantir que, se depender do PT e de mim, vamos ter uma aliança de toda a esquerda. Agora, o que as pessoas não podem achar é que o PT não pode ter candidato. Como que pode o maior partido não ter candidato?”, declarou Lula na ocasião.

Um dos defensores da candidatura de Lula em 2022 é Fernando Haddad, opção do partido em 2018, na ausência de Lula. “A minha posição sobre 2022 está muito ligada ao fato de eu estar lutando muito para que Lula recupere seus direitos políticos, sobretudo depois da desmoralização de Sergio Moro. Espero que o Judiciário faça justiça e nós possamos seguir com Lula candidato”, disse Fernando Haddad à Folha de S.Paulo, jornal do qual é colunista.

A diretriz do PT se baseia na premissa de que o partido ainda se considera o maior representante da esquerda após os resultados eleitorais de 2020.

Copo meio cheio

Em 2020, pela primeira vez, o PT não conseguiu eleger prefeito em capitais desde a redemocratização, também teve o pior desempenho eleitoral de sua história em São Paulo, onde seu candidato Jilmar Tatto (PT) amargou o 6º lugar. Das 15 cidades em que disputou o 2º turno das eleições municipais, a sigla foi derrotada em 11. O partido também diminuiu no número total de prefeituras. Em 2012, o PT foi eleito em 637 municípios; em 2020, 183. Menor número em 16 anos.

Na perspectiva petista, essa é uma visão do copo meio vazia. “O resultado eleitoral certamente ficou aquém das expectativas, mas nada justifica a leitura derrotista que tentam impor ao PT e à esquerda de maneira geral. Por diversos critérios de avaliação o PT preservou ou até melhorou o desempenho de 2016: votação recebida por candidatos a vereador e prefeito no primeiro turno, votação e vitórias no segundo turno, população que será administrada por prefeitos do partido”, declara o balanço petista.

São esses indicadores que fazem o partido crer que a população ainda considera a esquerda e o PT como “alternativa política ao governo de extrema-direita”.

Perspectiva de outros atores políticos da esquerda

Embora o PSol tenha conquistado apenas cinco prefeituras, em São Paulo o partido recuperou o eleitor que o PT perdeu em 2016. Em balanço do partido, o PSol hoje tem a perspectiva de ser uma sigla vista com mais relevância em 2022.

Juliano Medeiros, presidente do partido, diz acreditar que o desempenho de Guilherme Boulos em São Paulo se deveu à postura firme contra o governo Bolsonaro, conquistando mais o eleitor progressista. O PSol, no entanto considera cedo demais para colocar Boulos como opção de presidenciável.

O PDT foi, dentre os partidos de esquerda, o que mais conquistou prefeituras no Brasil – foram 311 no total. Ciro Gomes não esconde sua ambição em ser o candidato da esquerda em 2022.

Lançou livro com projeto de governo, voltou a dialogar com Lula, participou de programa eleitoral de Boulos, foi elogiado por Gilberto Kassab (presidente do PSD, que conquistou o maior número de prefeitura em 2020) e troca elogios com outros nomes, como Marina Silva (Rede).

O trabalhista, entretanto, não poupa palavras para criticar a postura petista. “Dentro do PT, hoje, há um problema grave, que é a absoluta censura a qualquer discussão que não passe pela ideia de o Lula ser o eterno presidente da República. O PT está definhando, isso não é bom para o país. Mas isso é um problema deles”, declarou o pedetista para O Globo.

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