Em audiência de custódia, Bolsonaro alega surto e nega intenção de fuga

Após a decretação de sua prisão preventiva, Bolsonaro relatou surto, provavelmente relacionado a medicamentos, mas sem intenção de fuga

atualizado

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Hugo Barreto/Metrópoles
Ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão
1 de 1 Ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

A audiência de custódia de Jair Bolsonaro (PL) foi concluída no início da tarde deste domingo (23/11), após cerca de meia hora de sessão realizada por videoconferência. O ex-presidente relatou que a tentativa de avariar a tornozeleira eletrônica teve a ver com um suposto “surto”, provavelmente relacionado ao uso de medicamentos. Ele negou, contudo, que havia qualquer motivação de fuga.

Segundo a ata da audiência, Bolsonaro disse ter tido uma “certa paranoia” entre a noite de sexta-feira (21/11) e a madrugada de sábado (22/11), atribuída por ele à interação inadequada entre dois medicamentos que estaria tomando- Pregabalina e Sertralina-, receitados por médicos diferentes.

Bolsonaro afirmou não dormir bem e ter um “sono picado”, o que teria contribuído para o episódio. Ele relatou que, por volta da meia-noite, usou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira, alegando ter curso para operar esse tipo de equipamento. Ele disse ainda que abandonou a tentativa após “cair na razão” e, em seguida, comunicou o que havia feito aos agentes.

O trecho da ata registra que o ex-presidente afirmou ter tido “alucinação de que tinha alguma escuta na tornozeleira” e que, por isso, tentou abrir a tampa do dispositivo. Ele disse não se lembrar de ter tido “surto dessa natureza” anteriormente.

A audiência

O ato foi conduzido por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, que não participou diretamente da audiência.

A audiência teve caráter formal e serviu para verificar as condições da apresentação do ex-presidente, confirmar se ele foi informado dos direitos e registrar eventuais manifestações da defesa. Bolsonaro permanece em prisão preventiva na Superintendência da PF no Distrito Federal.

A Justiça não divulgará o vídeo da audiência. Uma cópia da ata será remetida à Ação Penal nº 2.668, na qual Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses, devido à trama golpista.

A conclusão da audiência ocorre no mesmo dia em que se encerra o prazo para que a defesa apresente explicações sobre a violação da tornozeleira eletrônica. A equipe de advogados tem até 16h30 para enviar as justificativas.

O relatório enviado pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal aponta sinais de queimadura e manipulação no equipamento. Bolsonaro admitiu ter usado um ferro de solda na tentativa de abrir a tornozeleira, elemento central para a decretação da prisão preventiva devido ao risco de fuga.

A violação da tornozeleira foi um dos elementos centrais usados por Moraes para justificar a prisão preventiva, ao lado do risco de fuga para a Embaixada dos Estados Unidos e da possibilidade de tumulto provocado pela vigília convocada por Flávio Bolsonaro.

A tornozeleira também será periciada pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, que fará exames de microvestígios e análise eletrônica para identificar danos, ferramentas utilizadas e interferências externas no funcionamento.

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