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Brasil

Em aceno ao mercado, Lula ajusta o tom e defende responsabilidade fiscal

Mercado reagiu mal à vitória de Lula nas eleições e vem registrando índices negativos desde o resultado do segundo turno

06/11/2026 04:30
Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto
Presidente da Repúplica Luiz Inácio Lula da Silva fala ao microfone durante evento de governo - Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a fazer sinalizações ao mercado financeiro após semanas de pressão por medidas que garantam o equilíbrio das contas públicas. O mercado reagiu muito mal nas últimas semanas ao resultado das eleições presidenciais e vem registrando índices negativos desde a vitória do petista.

Nesse período, a bolsa de valores perdeu mais de 30 mil pontos. O dólar, que estava abaixo de R$ 5, disparou e encerrou a quinta-feira (5/11) no patamar de R$ 5,48.

Somado ao cenário, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, interrompendo um ciclo de cortes. O colegiado aponta a política fiscal do governo como um fator para a decisão.


Entenda a situação dos juros no Brasil

  • A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.

Pressionado, Lula falou pela primeira vez sobre o tema nessa quinta durante uma reunião no Palácio do Planalto. Sem citar as tensões com o mercado, ele defendeu que é preciso ter “seriedade” e responsabilidade jurídica e fiscal para atrair investimentos para o Brasil.

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Ele também afirmou que a atração de capital depende de uma “economia arrumada”.

“Ninguém vai querer vir fazer investimento numa economia totalmente desordenada”, disse o petista.

A declaração sinaliza um ajuste de tom em relação à postura adotada ao longo do mandato e da campanha eleitoral. Em discursos, Lula costuma fazer duras críticas à Faria Lima, embora tenha dito repetidas vezes que tem compromisso com a responsabilidade fiscal.

Historicamente, o titular do Planalto defende equilibrar a política econômica da gestão com gastos no social.

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Mais acenos

Além da declaração, o petista tem feito outros gestos com o objetivo de acalmar o mercado. Nessa quinta, ele se reuniu com ministros e economistas para debater saídas para melhorar as contas públicas.

Estiveram presentes autoridades da área econômica do governo, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento), Esther Dweck (Gestão e Inovação), além do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Aloizio Mercadante.

Lula também convocou os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega, e os economistas Luciano Coutinho (ex-presidente do BNDES), Laura Carvalho e Eduardo Moreira.

O encontro, no entanto, terminou sem uma decisão definitiva. O ministro Dario Durigan afirmou que vai se reunir com outros economistas, representantes da sociedade civil e agentes do mercado para reunir sugestões e apresentar propostas ao presidente.

Lula também gravou um pronunciamento no qual aborda a questão das contas públicas. Como mostrou o Metrópoles, na coluna Igor Gadelha, o presidente deve assumir um compromisso com “sustentabilidade” das contas públicas, mas não detalha medidas. A declaração vai ao ar na noite deste domingo (8/11).

Apesar da pressão, o presidente vai adiar o anúncio de medidas por pelo menos uma semana. A expectativa é que o assunto só volte a ser discutido na volta da viagem que ele fará à Turquia e às Filipinas, para participar da COP31 e da Cúpula da Asean. O petista viaja na segunda (9/11) e deve retornar no dia 16.

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