Em 2025, Brasil condenou pela 1ª vez um ex-presidente por tentar golpe

STF concluiu o processo e condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão. É a primeira condenação por golpe de um ex-presidente

atualizado

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Rosinei Coutinho/STF
Ex-presidente Jair Messias Bolsonaro em julgamento da denúncia do núcleo 1 da Pet 12.100, sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 - Metrópoles
1 de 1 Ex-presidente Jair Messias Bolsonaro em julgamento da denúncia do núcleo 1 da Pet 12.100, sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 - Metrópoles - Foto: Rosinei Coutinho/STF

Pela primeira vez na história, o Brasil condenou um ex-presidente por tentativa de golpe de Estado. O ex-chefe do Palácio do Planalto Jair Bolsonaro (PL) cumpre, atualmente, pena de 27 anos e 3 meses de prisão após julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que também acusou aliados do governo do ex-presidente, como ex-ministros de Estado e generais. Os processos principais foram divididos em quatro núcleos, todos concluídos neste ano, com a condenação de 29 pessoas e a absolvição de duas.


Condenação

  • Brasil condenou, em 2025, um ex-presidente por tentativa de golpe pela 1ª vez
  • Jair Bolsonaro recebeu pena de 27 anos e 3 meses após julgamento do STF
  • Outros ex-presidentes foram condenados, mas por crimes sem relação a golpe

O ex-presidente é o primeiro mandatário enquadrado criminalmente por tentativa de golpe de Estado ao longo da história republicana. Em períodos anteriores, como na ditadura militar, os próprios presidentes eram líderes do regime e, à época, não havia Estado Democrático de Direito nem independência efetiva do Judiciário para responsabilização criminal.

Com isso, atos como o golpe militar de 1964 e a manutenção do regime não eram tratados como crimes, mas como “atos revolucionários”, legitimados pelos atos institucionais, especialmente o AI-5.

Os crimes políticos daquele período eram julgados pela Justiça Militar, e os processos recaíam, em sua maioria, sobre opositores do regime. Apesar de existir desde 1890, o Supremo Tribunal Federal (STF) teve ministros cassados ou aposentados compulsoriamente ao longo desse período.

Conforme balanço feito pelo Metrópoles, no âmbito do processo da trama golpista, Bolsonaro recebeu a maior pena, de 27 anos de prisão, enquanto a menor foi atribuída ao “kid preto” Ronald Ferreira de Araújo, condenado a 1 ano e 11 meses.

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Alexandre de Moraes pediu condenação de Jair Bolsonaro e outros sete réus por golpe de Estado
Primeira Turma do STF durante julgamento
Ministro Cristiano Zanin durante julgamento
Paulo Gonet, procurador-geral da República, durante julgamento
Alexandre de Moraes durante julgamento
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Gustavo Moreno/STF
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Paulo Gonet, procurador-geral da República, durante julgamento
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A maior parte dos réus foi condenada por cinco crimes: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Outras condenações

Além de Bolsonaro, outros ex-presidentes do Brasil já foram condenados criminalmente, embora sem relação com tentativa de golpe de Estado. Entre eles está Fernando Collor, que, assim como Bolsonaro, passou a cumprir pena em 2025.

Collor foi condenado em maio de 2023 pelo STF a 8 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato. Em abril, após o STF rejeitar os últimos recursos, foi determinada a prisão para início do cumprimento da pena. O relator, ministro Alexandre de Moraes, autorizou o cumprimento em prisão domiciliar, em razão da idade e de problemas de saúde, com uso de tornozeleira eletrônica.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também chegou a ser condenado, em duas instâncias, e a cumprir pena, mas as condenações foram posteriormente anuladas por incompetência do juízo responsável e por violações processuais.

Já Michel Temer, José Sarney, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff não responderam a processos criminais. Ainda assim, Collor e Dilma Rousseff foram alvo de processos de impeachment durante os mandatos.

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